A VISITA QUE QUEBROU O ÚLTIMO VÍNCULO
O presídio feminino tinha um cheiro amargo de metal oxidado e desinfetante barato.
Luna sentiu o estômago embrulhar assim que entrou.
Não era enjoo da gravidez — era o tipo de náusea que nasce na alma.
Juno caminhava ao lado dela, segurando sua mão com firmeza.
Ela estava pálida, os olhos inchados, a respiração curta.
— Amor… — ele murmurou — se você quiser desistir, é só dizer. Você não precisa passar por isso.
Luna engoliu em seco.
— Eu preciso, Juno.
Eu preciso olhar nos olhos dela e ouvir… da própria boca dela… por quê.
Eu preciso encerrar isso dentro de mim.
Ele assentiu e beijou sua testa.
— Eu estou com você.
Eles foram escoltados até a sala de visitas restrita — aquela usada quando há suspeita de crimes graves.
Uma mesa fria de metal.
Duas cadeiras de cada lado.
Um vidro grosso separando visitantes e detentas.
Interfone para comunicação.
Tudo impessoal. Tudo triste.
Luna se sentou devagar.
As mãos tremiam.
Ela apertou o interfone desligado