A manhã parecia comum, mas o ar dentro da empresa carregava algo denso, quase palpável. O corredor principal estava em silêncio — um silêncio pesado, o tipo que antecede decisões que mudam destinos.
Jeffrey caminhava com passos lentos em direção à sala de reuniões. O som dos sapatos contra o piso ecoava como batidas de um coração cansado. Na mão, ele segurava a pasta com os documentos de divórcio — folhas que encerravam mais de duas décadas de um casamento que já não existia, apenas sobrevivia por inércia.
O advogado o esperava junto à mesa de mogno polido. Atrás dele, a janela ampla deixava entrar uma luz fria, acentuando as rugas de preocupação no rosto do homem. Jeffrey parou diante da mesa, respirou fundo e disse baixo:
— Ela vem?
— Já está a caminho, senhor Lancaster. — respondeu o advogado, ajustando os óculos.
Jeffrey assentiu, sentando-se. O relógio marcava cada segundo como se zombasse de sua hesitação. Ele olhou para o