Ponto de Vista: VALENTINA
O cheiro de pólvora, agora misturado ao meu próprio medo, era sufocante. Eu tinha visto um homem morrer. Fui puxada do palco por Leonardo e, segundos depois, estava sozinha com o assassino.
Damian Valmont era o meu terror.
Valentina: — O tremor na minha voz era incontrolável. — Quem você realmente é?
Damian: Isso não importa. Se falar sobre algo que aconteceu aqui, eu vou atrás de você e mando alguém fazer uma visita à sua família.
A ameaça era brutal, mas ele não parou por aí. Ele se aproximou, e eu recuei até a parede.
Damian: Eu sei tudo sobre a sua vida, Valentina.
Meu coração deu um salto. Valentina. Ninguém naquele lugar sabia meu nome verdadeiro, exceto Murilo.
Valentina: — Minha voz mal saiu, rouca pelo choque. — C-como você sabe meu nome?
Ele sorriu, mas o sorriso não alcançou seus olhos. Era frio, vitorioso.
Damian: Esta boate é minha. O Stardust é meu. E absolutamente nada acontece aqui, ou com qualquer pessoa que trabalhe para mim, sem o meu conhecimento. A máscara não escondeu nada de mim, querida.
O golpe foi devastador. Eu me senti invadida, exposta, sabendo que minha última ilusão de anonimato tinha sido destruída. Eu era uma boneca na prateleira dele.
Damian avançou, me encurralando na poltrona. Ele colocou a mão ao meu redor, me prendendo, e se inclinou, o olhar fixo nos meus olhos, a boca dele perigosamente perto da minha.
Damian: O que foi, Valentina? Está com medo do que eu possa fazer com você? Se você for uma boa menina, posso te proporcionar coisas que você nunca experimentou na vida.
Eu o empurrei, afastando-me de sua respiração.
Valentina: Você está louco! Jamais quero algo que venha de você.
Damian: Agora que você sabe que sou o proprietário, o seu patrão, tem certeza de que não pretende mudar de ideia sobre sua "dignidade"?
Valentina: Não pense que, por ser o dono e um criminoso, algo irá mudar. Jamais me deitarei com você. Se for esse o caso, solicito minha demissão imediatamente!
Ele ignorou meu pedido e se aproximou ainda mais. Ele soltou a fita do meu cabelo, deixando-o solto, e acariciou a máscara. Quando ele tentou puxá-la, segurei sua mão com desespero.
Valentina: Nunca mais tente remover a minha máscara! Não importa quem eu sou por trás dela. Assim como você não precisa me explicar a morte lá fora, eu não sou obrigada a explicar quem sou!
Ele se afastou, sentando-se na poltrona.
Damian: Calma, Valentina. Só fiquei curioso. — O tom dele era de um predador negociando. — Apreciei seu estilo de dança. E gostaria de contar com suas habilidades de forma exclusiva.
Ele lançou o ultimato com um sorriso frio:
Damian: Estou disposto a oferecer uma remuneração significativa, três vezes o que você ganha aqui. Você terá duas opções: tornar-se minha dançarina particular, exclusiva, ou pegar suas coisas e ser expulsa da minha boate.
O pânico misturado à dor de saber que ele controlava minha vida me atingiu.
Valentina: Por favor, não me mande embora! Eu preciso muito desse emprego para sustentar minha família!
Damian: Nada impede que você seja minha dançarina particular. Se aceitar, terá a oportunidade de ganhar um bom dinheiro. Caso não aceite, infelizmente, não poderá continuar trabalhando em minha boate. E farei questão de fechar todas as portas para você na cidade.
Valentina: Isso é uma ameaça, Damian?
Damian: Sim, é uma ameaça, e sempre cumpro o que ordeno. Eu não quero compartilhar sua dança com outros homens. Estarei aguardando sua resposta, Valentina, e se demorar, eu desisto da proposta. Assim, você ficará sem trabalho, sem dinheiro e sem opções.
Ele se aproximou novamente, segurou meu rosto e tentou me dar um beijo, mas virei. Ele riu da minha pequena resistência e saiu.
Fechei a porta, o tremor agora vindo da raiva e do terror. Ele sabia meu nome. Ele era o assassino.
O que eu faço agora? Eu realmente preciso desse emprego para sustentar minha mãe e meu irmão que dependem de mim. Contudo, me sujeitar a ser dançarina particular desse rapaz arrogante não faz parte dos meus planos. Se eu não aceitar, ele ameaçou que tornaria minha vida um inferno. Além disso, onde eu conseguiria outro emprego, se ele me afirmou que faria de tudo para que eu não conseguisse trabalho em outra boate?
Se eu aceitar, ele poderá tornar a minha vida insuportável, pensando que, pelo fato de eu dançar, sou uma vagabunda.
Em que situação me coloquei e como poderei sair desta sem comprometer meu emprego?