Ponto de Vista: DAMIAN
O banho foi breve, mas suficiente para lavar a poeira tóxica de um dia no topo da pirâmide. Eu vestia meu terno, sentindo o peso e a perfeição da lã italiana. Não era uma roupa; era um aviso. Esta noite, o CEO dava lugar ao Predador. A vingança pelo tapa e a execução de um negócio malfeito seriam combinadas no meu território.
Ao estacionar meu Bentley Continental GT na porta de serviço do Stardust, a adrenalina já estava no pico. O ar da noite parecia frio, mas minha fúria fervia.
Murilo esperava-me com as mãos suadas e o pânico mal disfarçado.
Murilo: Senhor Valmont, a instrução foi cumprida à risca. A dançarina Pantera está isolada.
Damian: — Minha voz era cortante, sem paciência para fraquezas. — Ela já está no palco. Apague todas as luzes do salão. Quando a música atingir o ápice, faça o anúncio. E saia. Imediatamente.
Ele obedeceu, quase tropeçando. Entrei no salão escuro. O silêncio era interrompido apenas pela batida lenta e tensa da música que começava.
O foco de luz se acendeu. E lá estava ela. Valentina Rossi. O corpo contorcendo-se em um desafio silencioso, a máscara escondendo a dor, mas não a ferocidade. Ela era mais do que a mulher que dançou ontem; era a única pessoa que ousou testar meus limites.
No momento exato em que ela girava na barra, a voz de Murilo explodiu, cavernosa, pelos alto-falantes: "BEM-VINDOS AO DONO DO STARDUST: DAMIAN VALMONT!"
O salão se inundou de luz. Os olhos de Valentina encontraram os meus, e o pânico a atingiu. Ela ficou paralisada, a respiração presa no peito. A vingança era doce.
Subi ao palco com a cadência de quem caminha sobre o pescoço do inimigo. Inclinei-me, o cheiro do meu perfume caro misturando-se ao suor dela. Sussurrei: "Eu te avisei. Consequências."
O olhar de terror dela foi interrompido pela chegada dos meus "convidados". Os devedores.
Sentei-me à mesa principal com Leonardo, observando o espetáculo.
Leonardo: Agora compreendo a obsessão. Ela é uma obra-prima de fúria e sensualidade, Damian.
Ignorei o elogio. Minha atenção estava na dançarina, que, em vez de fugir, continuou a se mover. Vadia, pensei, então o dinheiro fala mais alto do que a dignidade?
A negociação começou, mas a concentração era impossível.
— É uma tortura tentar fechar negócio com essa deusa dançando — murmurou um dos traficantes.
Fiz um sinal. Valentina aproximou-se, o corpo tenso, ciente de que estava na coleira.
Damian: Vá pegar uma bebida para meus amigos e depois pode se retirar.
Elias, o devedor, riu com desdém.
—Uma mulher como você deve valer o preço de um diamante, linda. Diga-me quanto custa uma noite?
Bati a mão na mesa com a força de um trovão. O choque reverberou pelo salão.
Damian: Você não escutou, Pantera? Vá buscar nossos drinks. AGORA!
Valentina: Sim, senhor. — Sua voz era quase inaudível.
Ela retornou rapidamente. Ao servir-me, segurei seu pulso. Seu corpo estava febril, e o tremor, incontrolável.
Damian: Por que tanto medo, pantera? Onde está a selvagem que se esfregava nos meus braços ontem? A que me deu um tapa?
Valentina: Desculpe, senhor. Meu trabalho é dançar.
Damian: Onde está a honra? Você está tremendo.
Valentina: Posso ir embora, por favor, Senhor Valmont?
Damian: Eu mudei de ideia. Você só pode sair daqui quando eu decidir. Suba e dance.
Ela subiu, o ódio visível até debaixo da máscara.
Damian: Agora, vamos encerrar isso. Exijo o pagamento. Não vou mais arriscar meus ativos para o transporte de drogas sem o que é meu.
Elias: Isso é uma ameaça? Você está envolvido tanto quanto nós, Valmont!
Damian: — Soltei uma risada seca. — Vocês acham que sou um criminoso de segunda classe? Eu sou o homem que os Grandes confiam. Vocês não têm provas, mas eu tenho um dossiê que destrói a vida de vocês, seus amadores.
Elias perdeu o controle. A arma dele saiu da cintura e apontou diretamente para o meu peito. Eu permaneci sentado, acendendo um cigarro com o máximo de calma possível, saboreando o risco. Soltei a fumaça.
Nesse instante, Juninho, o contato de confiança que Leonardo tinha escalado, emergiu das sombras, a arma dele já engatilhada nas costas dos devedores.
— Não gostamos de ser ameaçados, Valmont.
Damian: — Dei mais uma tragada. — Você realmente pensou que eu os chamaria aqui sem ter reforço, Elias? Abaixe a arma ou morra aqui mesmo.
Olhei para o palco. Valentina estava em colapso mental. Fiz um sinal imperceptível para Leonardo. Ele se moveu rápido, tirando-a do palco e levando-a para a segurança relativa do camarim, livrando-a de ver o que viria a seguir.
Elias abaixou a arma.
Juninho: — A voz era fria, profissional. — Meu patrão mandou lembranças. E enviou um presente.
Juninho me lançou uma pistola de cano curto. Peguei-a, o peso familiar e frio em minha mão. Levanto-me e apontei para Elias.
Damian: Embora eu seja um empresário, meus contatos são valiosos. Nunca usei uma arma, mas desde pequeno fui treinado para precisão. É difícil, Elias?
— Olha, Valmont! Eu vou pagar! Apenas me dê um tempo!
Apertei o gatilho. O tiro foi alto, ensurdecedor, o cheiro de pólvora invadindo o ar. O corpo de Elias caiu pesadamente, um buraco vermelho expandindo-se em seu peito. Os outros devedores ficaram paralisados, o terror petrificado em seus rostos.
Damian: Levem o corpo do seu amigo. E nunca mais procurem meus serviços para transporte. Nosso negócio está encerrado.
Em um silêncio forçado, eles arrastaram o corpo para fora.
Damian: Agradeça ao Fera.
Juninho: O tiro foi certeiro, cara. Você sabia usar.
Damian: Desde pequeno estou treinado. Senta e bebe.
Juninho: Preciso ir, chefe. Mas estou por aqui. É só me avisar.
Damian: Diga ao seu chefe que agora você também trabalha para mim.
Juninho sorriu de canto e se retirou. Fui até o camarim. Valentina estava lá, o corpo tremendo em choque. Leonardo saiu.
Valentina: Quem realmente é você?
Damian: Isso não importa. Se você falar sobre o que aconteceu aqui, eu não irei atrás de você. Eu irei atrás da sua família.