MAYA
O som do elevador social abrindo foi como um trovão num deserto de silêncio. Eu ainda estava encolhida entre os tapetes e os cacos de cristal, o ar fugindo dos meus pulmões em espasmos curtos. Minha mão direita ardia, o corte do vidro pulsando no ritmo descompassado do meu coração. O cheiro de Jurandir — aquele odor de suor, desespero e maldade — ainda parecia impregnado nas paredes do closet.
— MAYA!
A voz de Arthur cortou o corredor, carregada de uma agonia que eu nunca imaginei ouvir