CAP. 45 — O PESO DA SOBREVIVÊNCIA
POV RIANE
O frio da clareira não parecia com nada que eu já tivesse sentido às margens do Rio Negro. Não era o frio da chuva, nem a queda de temperatura da madrugada. Era uma umidade que penetrava a carne, um resquício da presença daquela entidade que ainda parecia flutuar entre as árvores.
Caruã jogou a última tora de madeira na fogueira. A chama, que antes oscilava com o vento, agora queimava estável, o calor seco começando a devolver a cor aos nossos dedos. Ele estava imóvel, com o antebra