Francine acordou antes que o céu de Nova York clareasse por completo.
A cidade ainda estava num tom azulado, suspensa entre a madrugada e o dia, quando ela se sentou na cama, o coração inquieto demais para continuar fingindo sono.
Havia passado a noite inteira virando de um lado para o outro, revendo mensagens, vídeos, imagens que não eram dela, mas que agora pesavam como se fossem.
Vestiu o robe devagar e ligou para o serviço de quarto.
— Dois chocolates quentes, por favor. — pediu, a voz baixa. — Bem quentes.
Quando desligou, ficou alguns segundos parada, observando Malu dormir na outra cama.
Ela parecia exausta até dormindo.
O corpo encolhido, como se ainda estivesse se protegendo de algo que não sabia exatamente de onde vinha.
Francine sentiu um nó apertar no peito.
Minutos depois, a batida suave na porta.
Ela se levantou rápido para atender, mas o som foi suficiente para acordar Malu, que se mexeu na cama e abriu os olhos ainda pesados.
— Fran… — ela murmurou, sentando devagar. —