Cássio chegou ao escritório naquele dia como se estivesse carregando o próprio peso nos ombros.
O reflexo no vidro da sala dele confirmava o que Dorian já vinha insinuando: o terno estava amarrotado, a barba por fazer, os olhos fundos que denunciavam noites mal dormidas, ou mal vividas.
Um homem que perdeu o eixo, e ele sabia disso.
Sentou-se à mesa, abriu o computador, encarou a tela… e não absorveu absolutamente nada do que aparecia ali.
Planilhas, relatórios, números.
Tudo parecia irrelevante diante da única coisa que ocupava sua cabeça: Malu tinha sumido.
Não só do prédio. Da vida dele.
Dorian percebeu logo de cara.
Parou na porta da sala, observou o amigo por alguns segundos e soltou um suspiro pesado.
— Você tá assustando até o RH — comentou. — Pelo amor de Deus, Cássio… quando foi a última vez que você se olhou no espelho?
Cássio levantou os olhos devagar.
— Não sei. E não me importo.
— Pois devia. — Dorian entrou e fechou a porta atrás de si. — Você parece um homem das caverna