Malu estava apoiada na bancada da cozinha, ainda de pijama, tomando café sem pressa.
A manhã entrava preguiçosa pela janela, iluminando o apartamento com aquela luz clara que costumava deixá-la de bom humor.
No celular, ela rolava o feed distraída, curtindo fotos que não via de verdade, quando a notificação apareceu no topo da tela.
Cassio.
Ela abriu a mensagem.
“Você tem algum analgésico aí? Esqueci de comprar e tô com dor de cabeça. Se puder deixar no apê, a porta vai ficar aberta enquanto eu tomo banho.”
Ela leu uma vez. Depois outra.
— Ah, então agora você aparece… — resmungou, levando a caneca à boca.
A noite inteira sem notícias.
Nenhuma mensagem. Nenhum “cheguei”, nenhum “tô vivo”, nada.
E agora aquilo.
Ela apoiou o celular na bancada e ficou alguns segundos olhando para o nada.
Parte dela queria responder atravessado. Outra parte queria perguntar se estava tudo bem.
Mas o tom da mensagem era tão… normal, tão cotidiano, que desarmava qualquer indignação maior.
— Bonito, Cássio.