Mundo ficciónIniciar sesiónAngelina sempre foi uma garota doce e independente, mas a vida nunca lhe deu muitas escolhas. Desde cedo, precisou assumir responsabilidades que não condiziam com sua idade, deixando de lado os momentos de diversão e a juventude despreocupada que tantos ao seu redor pareciam aproveitar.Casamento? Filhos? Mudar de cidade? Esses nunca foram seus sonhos. Seu plano era simples: seguir em frente do jeito que pudesse. Mas tudo desmoronou quando seu pai desapareceu, deixando-a sozinha, sem emprego, afundada em dívidas e, pior, sob a mira de um agiota impiedoso.O desespero tomou conta. Até que um estranho surgiu, oferecendo uma proposta impossível de ignorar—uma solução rápida para todos os seus problemas. Bastava aceitar.O que ele queria em troca? Um filho.Ser mãe nunca esteve nos planos de Angelina. Mas e se essa fosse sua única saída? Estaria prestes a salvar sua vida ou apenas a trocar um pesadelo por outro?
Leer másAngelina Clark
Ferrada. Não existe palavra melhor para descrever minha situação. Acabei de perder meu emprego. A empresa onde eu trabalhava como secretária faliu, e, como um efeito dominó, fui jogada no desemprego sem direito a acerto, sem nenhuma segurança. Talvez alguém pense: “Ah, logo você arranja outro emprego. Não precisa de tanto desespero.” Eu até poderia pensar assim… se minha vida não fosse um verdadeiro inferno. Meu pai—o único parente que me restava—simplesmente sumiu no mundo, deixando para trás uma dívida absurda com um agiota. Uma dívida que agora caiu no meu colo. E como se isso não bastasse, hoje, quando cheguei em casa, me deparei com um papel colado na porta da minha quitinete. Aviso de despejo. Quatro meses de aluguel atrasado. Tenho trinta dias para pagar ou estou na rua. O peso disso tudo desaba sobre mim de uma vez. É como se o mundo tivesse decidido se desfazer bem debaixo dos meus pés. Meu peito aperta, minha garganta seca, mas as lágrimas… bem, elas já se tornaram um luxo que não posso mais me permitir. Suspiro, frustrada, e entro em casa. A porta range atrás de mim quando a fecho. Tiro os sapatos e os deixo de qualquer jeito perto da entrada. Minha bolsa? Jogo no sofá pequeno e gasto que comprei de segunda mão, e que, ironicamente, pode ser a minha cama em breve, se eu for despejada. Sem pensar muito, sigo para o quarto. O espaço é minúsculo, as paredes descascadas, e o ventilador velho faz um barulho irritante, mas nada disso me importa agora. Tiro a roupa sem cerimônia, deixando as peças caírem pelo chão até ficar apenas de calcinha. Meu corpo pesa como chumbo quando me jogo na cama. Eu queria dormir, queria apagar esse dia da memória, mas o turbilhão de pensamentos me mantém acordada. Ao menos ainda tenho meu emprego na boate. Isso, por enquanto, vai me impedir de passar fome. Mas essa não é a minha maior preocupação. Se eu não pagar a dívida logo, sei exatamente qual será a alternativa que o agiota vai me oferecer—e não é uma que estou disposta a aceitar. Ele já deixou bem claro: ou eu pago, ou viro mercadoria no prostíbulo dele. Fecho os olhos e respiro fundo. Minha vida está ruindo, despencando como um prédio prestes a desmoronar. Mas, por enquanto, isso ainda não tira meu sono. Não ainda. 22:00. Meu turno na boate está começando. E antes que alguém tire conclusões erradas, eu sou bartender, nada além disso. Mas, honestamente? O salário não é grande coisa, e ter que lidar com bêbados chatos e insistentes pode ser um verdadeiro inferno. O som alto da música faz o balcão vibrar enquanto limpo a bagunça que um cliente desastrado deixou para trás. Estou concentrada, esfregando o pano sobre a superfície úmida, quando um homem simplesmente se j**a no banco à minha frente. E que homem. Ele é bonito de um jeito que não combina com esse lugar. Loiro, olhos claros que parecem atravessar qualquer um que cruzem seu caminho. Alto, forte, e, além de tudo, bem vestido. Não que essa boate seja um buraco, mas definitivamente não é o tipo de ambiente onde se espera encontrar um cara como ele. — Um whisky duplo, por favor. — Sua voz é firme, sem hesitação. Aceno com a cabeça, sem dizer nada, e caminho até a prateleira, pegando a garrafa e despejando a bebida sobre o gelo no copo. Em seguida, volto e coloco a dose diante dele. — Aqui está. — Anoto o valor na comanda para ele pagar na saída. — Obrigado. — Ele agradece e, sem cerimônia, vira o whisky em um único gole. Franzo o cenho, surpresa. O cara não está aqui para brincar. — Mais uma, garotinha. Reviro os olhos discretamente, mas sirvo outra dose sem questionar. Quando coloco o copo na frente dele, solto um pequeno sorriso de lado. — Aqui está, senhor. E, a propósito, não sou garotinha. Ele me encara por um segundo, mas não responde. Apenas pega o copo e leva à boca. Algo na forma como ele se comporta me intriga. Diferente da maioria dos homens que passam por aqui, ele não parece interessado em nada além da própria bebida. Depois desses dois whiskys, ele não pediu mais nada. Não dançou, não se aproximou da pista, e rejeitou todas as mulheres que tentaram flertar com ele. O que me leva a duas conclusões: ou ele é gay, ou está no fundo do poço. Duas da manhã. Finalmente, meu expediente na boate chegou ao fim. Exausta, saí distraída, com os olhos grudados no celular, tentando chamar um motorista de aplicativo. O frio da madrugada fazia minha pele arrepiar, e a rua estava mais silenciosa do que eu gostaria. Foi quando, de repente, trombei em alguém. — Merda! — resmunguei, abaixando-me para pegar o celular que caiu no chão. — Tá tudo bem? — A voz masculina soou preocupada. Levantei a cabeça e, para minha surpresa, era o cara do bar. — Sim, eu estava focada demais no celular, então foi mal. — Respondi, ajeitando o aparelho na mão. Ele sorriu de lado, com um olhar avaliador. — Você tem como ir embora? — Motorista de aplicativo. — Balancei o celular e ri de leve. Ele, no entanto, não parecia convencido. — Se quiser uma carona, posso te levar. Acho perigoso pegar um Uber essa hora. Arqueei uma sobrancelha, debochada. — O mesmo perigo de aceitar carona de um desconhecido. Ele então puxou algo do bolso e me mostrou um distintivo prateado. — Sou delegado. Não tem perigo algum. Cruzei os braços, fingindo desconfiança. — Quem me garante que isso não é falso? Ele soltou uma risada baixa, mas manteve o tom sério. — Se eu estou te alertando sobre os perigos de pegar um Uber sozinha essa hora, por que eu te faria mal? Ele tinha um ponto. Além disso, algo nele me passava segurança, um instinto que não conseguia ignorar. Suspirei e cedi. — Nesse caso, eu aceito. Confesso que sempre fico apreensiva pegando Uber de madrugada. Entramos no carro, e ele me pediu para colocar meu endereço no GPS. Assim que o fiz, deu a partida. O silêncio no veículo era estranho, e mesmo sabendo que não era da minha conta, eu não conseguia ignorar a sensação incômoda de que ele não estava bem. — Sei que não tenho nada a ver com isso, mas… você está bem? — arrisquei perguntar. — Estou, sim. — Sua resposta foi seca, pouco convincente. Cruzei as pernas e encarei a rua pela janela antes de voltar a falar. — Não parece. Você bebeu, mas não estava se divertindo. Não dançou, não conversou com ninguém e rejeitou todas as mulheres que tentaram se aproximar. Na minha experiência, isso significa que alguém está no fundo do poço. Ele soltou um suspiro, mas não desviou os olhos da estrada. — Talvez um pouco. Mas é um assunto chato e doloroso. Não quero te importunar com isso. Inclinei a cabeça para o lado, estudando sua expressão. — Sou boa ouvinte. Ele sorriu de lado, mas sua resposta foi um corte sutil na conversa: — Obrigado, mas está tudo bem. Entendi o recado. Ele realmente não queria falar sobre isso, e eu não estava disposta a forçar. Mas, lá no fundo, minha curiosidade gritava. O trajeto não demorou muito, e logo reconheci meu prédio. Só que, para minha infelicidade, parado na frente da entrada estava Iron, o ajudante do agiota. Meu estômago revirou na hora. Iron era a personificação da ameaça. Alto, com uma presença intimidadora e sempre com aquele olhar de quem se divertia em ver os outros com medo. Eu nunca quis conhecer o chefe dele, e honestamente, preferia que continuasse assim. Felizmente, eu tinha um dinheiro guardado para pagar essa parcela da dívida. Não queria imaginar o que aconteceria se não tivesse. A voz grave ao meu lado me arrancou do transe. — Acho que seu namorado está te esperando. Virei para Felipe, soltando um riso curto, sem humor. — Não é meu namorado, só um conhecido. — Hum. — Ele murmurou, analisando Iron com atenção. Desci do carro e me inclinei na janela. — Obrigada pela carona. Ele deu de ombros. — Não foi nada. Aliás, meu nome é Felipe. Sorri de leve. — Angelina. — Boa noite, Angelina. — Boa noite, delegado. E então me virei, sentindo os olhos de Iron me acompanhando enquanto eu caminhava em direção ao prédio.Angelina Clark Um mês depois… Já fazia um mês desde que eu e o Fe transamos. Nos primeiros dias, foi estranho vê-lo e não lembrar de nós dois juntos daquela forma, dos toques, dos beijos, da conexão que sentimos naquela noite. Mas, com o tempo, tudo voltou ao normal – ou quase. A possibilidade de estar grávida fez com que nos aproximássemos ainda mais. Ele estava ansioso, cheio de expectativas, já fazendo planos, e eu… bem, eu tentava não me deixar levar. Carla, por outro lado, me deu um sermão daqueles. Disse que eu estava me metendo em algo muito perigoso emocionalmente, que isso só faria meu sentimento pelo Fe crescer ainda mais e que, no final, quem sairia machucada seria eu. Mas, mesmo com toda sua preocupação, ela não me deixou sozinha quando comecei a sentir os primeiros enjoos. Ela esteve ao meu lado quando comprei os testes e, agora, enquanto espero aqueles malditos cinco minutos passarem, sinto a presença dela mesmo que não esteja aqui fisicamente. Ando de um lado
Angelina Clark Me movo devagar, sentindo um aperto firme ao redor da minha cintura. Meu corpo ainda está quente, resquícios do que acabamos de fazer. Abro os olhos lentamente e encontro Felipe me observando. Seu olhar é calmo, mas intenso, como se ainda estivesse absorvendo o momento. Percebo que ainda estamos nus, exatamente do jeito que deitamos depois de… bom, depois de nos entregarmos um ao outro. — Que horas são? — sussurro, minha voz rouca pelo sono recente. Ele sorri de lado, passando a ponta dos dedos suavemente pela minha pele. — Não se preocupa. Só dormimos alguns minutos. Assinto, mordendo a parte interna da bochecha, reunindo coragem para falar o que preciso. — Fe… — minha voz sai hesitante. — A gente precisa conversar sobre isso. Ele não parece surpreso. Apenas continua me observando, os olhos profundos e serenos. — Angel, somos adultos. Nós queríamos isso, e tá tudo bem. — Sim, queríamos — admito, sentindo meu rosto esquentar. — Mas não é só isso. A
Angelina Clark A quinta-feira estava ensolarada e agradável quando saímos da clínica, carregando conosco a melhor das notícias. Os exames iniciais para a inseminação haviam sido um sucesso absoluto. Estávamos mais do que aptos para seguir com o processo, e o melhor de tudo: ambos saudáveis em todos os sentidos. Felipe parecia radiante. Havia um brilho nos olhos dele que eu raramente via, uma felicidade genuína que fazia meu coração bater mais forte—e, ao mesmo tempo, doer um pouco. Porque, no fundo, eu sabia que estava apaixonada por alguém que não queria uma namorada. Alguém que, talvez, nunca me enxergasse da forma como eu o enxergava. — Deu tudo certo, Fe! — exclamei, sorrindo para ele. Ele me olhou com tanta ternura que por um segundo meu coração quase acreditou que esse era um sonho nosso, e não apenas dele. — Obrigado por isso, Angel — disse, a voz carregada de emoção. — Meu sonho só vai se realizar graças a você. Sorri, sentindo um calor gostoso no peito. Eu sabi
Angelina Clark Música ambiente tocava em um volume confortável, preenchendo a boate com um ritmo suave enquanto as luzes coloridas piscavam em tons azulados. Era uma segunda-feira tranquila, e o movimento ainda era baixo. Assim que passei pela entrada e me aproximei do bar, Carla me lançou um olhar atento. Ela estava organizando algumas garrafas na prateleira, mas parou ao me ver. — Você me parece diferente hoje, Angel — comentou, franzindo a testa. Dei de ombros, soltando um suspiro leve. — Deve ser porque finalmente resolvi o problema que mais estava me assombrando. Consegui ter uma bela noite de sono depois de dias dormindo mal. Os olhos dela se suavizaram por um instante, mas logo voltaram a me analisar com cautela. — Isso é ótimo, claro… Mas o que aconteceu? Arrumou um emprego? Carla sabia que minha situação estava difícil. Eu via nos olhos dela a preocupação sincera, e por isso me preparei para sua reação antes de responder. — Na verdade, n





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