Mundo de ficçãoIniciar sessãoAngelina Clark
Me movo devagar, sentindo um aperto firme ao redor da minha cintura. Meu corpo ainda está quente, resquícios do que acabamos de fazer. Abro os olhos lentamente e encontro Felipe me observando. Seu olhar é calmo, mas intenso, como se ainda estivesse absorvendo o momento. Percebo que ainda estamos nus, exatamente do jeito que deitamos depois de… bom, depois de nos entregarmos um ao outro. — Que horas são? — sussurro, minha voz rouca pelo sono recente. Ele sorri de lado, passando a ponta dos dedos suavemente pela minha pele. — Não se preocupa. Só dormimos alguns minutos. Assinto, mordendo a parte interna da bochecha, reunindo coragem para falar o que preciso. — Fe… — minha voz sai hesitante. — A gente precisa conversar sobre isso. Ele não parece surpreso. Apenas continua me observando, os olhos profundos e serenos. — Angel, somos adultos. Nós queríamos isso, e tá tudo bem. — Sim, queríamos — admito, sentindo meu rosto esquentar. — Mas não é só isso. A gente precisa falar sobre o que pode acontecer agora. Felipe ergue uma sobrancelha, ainda relaxado. — Ei, relaxa. Somos amigos. Acabamos de nos embolar nesse sofá de um jeito incrível, por sinal. Não precisa ficar sem graça comigo. Respiro fundo, tentando encontrar as palavras certas. — Felipe… Acho que não precisaremos mais da inseminação. A gente correu um risco real de termos um filho agora. O silêncio toma conta do ambiente por alguns segundos. Meu coração martela no peito. Estava preparada para qualquer reação — nervosismo, preocupação, até arrependimento. Mas o que vejo no rosto dele é… calma. Ele não parece assustado. Nem bravo. Apenas pensativo. — Não vai falar nada? — pergunto, minha ansiedade aumentando a cada segundo. Então ele respira fundo e me encara, sua expressão carregada de algo que não sei identificar de imediato. — Tá tudo bem. Franzo a testa. — Como assim? — Eu queria um filho, Angel. Isso não muda nada. De qualquer forma, o bebê seria gerado por você. Os óvulos seriam seus. Não importa como acontecesse, ele ainda seria nosso filho. Meu coração aperta com as palavras dele. Eu não esperava que ele fosse aceitar tão bem assim. — Não se preocupa. Continua tudo como combinamos. Somos saudáveis. Se acontecer, ótimo. Fecho os olhos por um instante e solto o ar que estava prendendo. Eu nem tinha percebido o quanto estava tensa até agora. — Tudo bem… — murmuro. — Esperamos um tempo e fazemos o teste. Se der positivo, ótimo. Se não, seguimos com o plano da inseminação. Ele sorri antes de afundar o rosto no meu pescoço, sua respiração quente contra minha pele. — Chega desse assunto chato, por favor — ele resmunga, a voz abafada. Dou uma risada curta, sentindo o alívio tomar conta de mim. — Justo. Mas eu tô exausta. — Então vamos tomar um banho. Mais tarde você ainda precisa trabalhar. — Super apoio. Tô me sentindo um zumbi. Me levanto e pego a camisa dele que está jogada no chão, mas antes que eu consiga vesti-la, Felipe a toma de volta, segurando-a acima da cabeça com um sorriso travesso. — Ei! Eu ia vestir isso, sabia? — reclamo, tentando alcançar a camisa. Ele dá um passo para trás, rindo. — E pra quê? Seu corpo é uma bela vista. Além disso, você vai ter que tirar de novo pra tomar banho, então nem faz sentido vestir. Reviro os olhos, cruzando os braços. — Você tá se saindo um belo de um safado, Felipe. Ele ri, negando com a cabeça, e antes que eu possa retrucar, segura minha mão e me puxa em direção ao quarto. Assim que cruzo a porta, paro por um instante para observar o ambiente. Eu não tinha entrado aqui antes. O quarto é enorme, com uma cama espaçosa e lençóis impecáveis. A decoração é minimalista, em tons de marrom e branco, transmitindo um ar sofisticado, mas aconchegante. — Que quartão… — comento, olhando ao redor. Então sorrio, brincando: — Quando eu estiver barriguda e desconfortável, vou te expulsar da sua cama e vir dormir aqui, bem confortável. Felipe ri baixinho antes de se aproximar por trás de mim, envolvendo minha cintura com os braços. Sua mão desliza suavemente até minha barriga, acariciando-a com ternura. — Acredite, eu estou ansioso pra te ver de barrigão — sua voz sai baixa, quase um sussurro contra minha pele. — Aposto que vai ficar ainda mais linda. E pode ter certeza, Angel… se for pelo seu conforto e o do bebê, eu faço de tudo. Sinto meu peito apertar. Por um momento, o calor do toque dele e a suavidade das palavras me envolvem, me fazendo esquecer da realidade por trás de tudo isso. Mas então a tristeza me atinge como uma onda inevitável. Só estamos assim porque sou a barriga de aluguel dele. Nada mais. No fim, essa criança será dele. E quando tudo isso acabar, voltaremos a ser apenas amigos. Cada um seguirá seu caminho. A ideia deveria me confortar, mas, por algum motivo, me dá um gosto amargo na boca. — Ei, por que essa carinha? — Felipe pergunta, a voz suave, mas atenta. Desvio o olhar, forçando um sorriso. — Nada… só estou preocupada se vai dar certo mesmo. Ele segura meu rosto entre as mãos, os polegares acariciando minha pele. — Claro que vai dar tudo certo, você vai ver. Não se preocupa, Angel. Beija o topo da minha cabeça, e por um instante, sinto que posso acreditar nisso. — Vamos pro banho? — ele convida, um sorriso discreto nos lábios. Mordo de leve o canto da boca, observando seu corpo sem nenhuma vergonha. Claro que eu queria mais. Se era só isso que eu poderia ter dele, então eu iria aproveitar. Seguimos para o banheiro, e minha boca se entreabre ao ver o espaço luxuoso. O ambiente é impecável, e uma banheira enorme me chama atenção. — Que puta banheiro… — murmuro, fascinada. Felipe ri, já entrando no box e abrindo o chuveiro. A água escorre por seu corpo definido, e de repente, eu esqueço completamente do banheiro. Sem hesitar, entro no chuveiro e enlaço meus braços em seu pescoço, tomando seus lábios em um beijo intenso. As mãos dele deslizam para minha cintura, apertando-a de um jeito que me acende por inteiro. Desço meus beijos por seu pescoço, seu peito, ajoelhando-me diante dele. Felipe solta um suspiro rouco quando minha mão envolve seu membro, e um arrepio percorre meu corpo ao sentir seus dedos afundando em meus cabelos. Sem pressa, tomo-o na boca, sugando-o lentamente, provocando-o. — Angel… — ele murmura, a voz densa de desejo. Em um movimento súbito, ele segura meu queixo, me fazendo levantar. Seu olhar está carregado de luxúria. — Se segura e coloca uma perna no meu ombro — ordena, dando um tapa em minha coxa. Meu corpo obedece antes mesmo que eu processe suas palavras. Assim que sua boca me toca, um gemido escapa sem controle. Ele suga com vontade, hábil e intenso, e eu não consigo conter os sons de prazer que preenchem o banheiro. Meu corpo inteiro pulsa, e quando o clímax chega, um gemido alto e entrecortado deixa meus lábios. — Gostosa demais — ele sussurra, levantando-se. — Estou doido pra entrar em você de novo. Minhas pernas ainda tremem, mas meu desejo por ele é maior. — Me fode, Felipe. Eu quero você. Em um instante, ele me ergue, me prendendo contra a parede gelada do azulejo. Seus olhos encontram os meus por um breve momento antes de me preencher por inteiro. Gemo alto quando ele começa a se mover, forte e profundo, cada estocada me levando mais alto. Ele me beija com fome, sem perder o ritmo, e a única coisa que consigo fazer é me segurar nele, completamente entregue. O prazer me atinge com força, minhas unhas cravam em sua pele enquanto meu corpo se desfaz ao redor dele. Mas ele não para. Continua me levando ao limite, até que, mais uma vez, chego ao ápice com um grito entrecortado pelo seu nome. Felipe me acompanha logo depois, gemendo contra meu ouvido, o som rouco e carregado de prazer. Quando ele me solta, minhas pernas falham, e só não caio porque ele me segura, rindo baixinho. — Parece que alguém tá meio bamba… — Você acabou comigo — resmungo, arfando. Ele beija meu ombro e sorri. — Então vou te dar um banho de verdade agora. Depois podemos fazer uma pipoca e assistir um filme. Sorrio de volta, dando um selinho nele. — Ótima ideia. Felipe ri, ligando o chuveiro novamente, e eu fecho os olhos, tentando ignorar o aperto no peito. Tudo entre nós combina tão bem… Ele é exatamente tudo o que eu sempre quis. Mas, no fim das contas, eu sei que isso é só um acordo. Sei que ele não me quer desse jeito. E por mais que doa, sei que meu lugar é aqui, quieta, guardando esse sentimento dentro de mim.






