A chuva lavava o para-brisa do carro com força, mas Beatriz não via nada além do próprio reflexo no vidro.
O rosto pálido, o batom borrado, os olhos avermelhados — como se a mulher ali fosse apenas o rascunho de quem um dia ela foi.
O volante tremia em suas mãos.
Ela respirava rápido, quase sem perceber.
“Ele a escolheu”, ecoava dentro dela, como uma sentença.
Ricardo, o homem que ela acreditava dominar por completo, havia olhado para outra com o tipo de amor que não se disfarça.
E o pior — ago