O chalé estava mergulhado em um silêncio quase sagrado.
Lá fora, a noite parecia mais escura do que as anteriores, como se a própria mata ao redor quisesse proteger o que acontecia ali dentro.
O vento deslizava pelas frestas da janela, fazendo a chama da vela tremular.
Era a última noite antes da fuga.
A última noite antes da vida dos dois mudar outra vez.
Ricardo fechou a porta do quarto devagar, como se temesse acordar a própria escuridão.
Camila estava sentada na cama, abraçando os joelhos, com o olhar perdido no nada.
— Você está com medo? — ele perguntou suavemente.
Ela não respondeu de imediato.
Apenas ergueu o olhar… e o medo estava ali, brilhando nos olhos dela como um pedido silencioso de ajuda.
— Não do que vai acontecer amanhã — ela sussurrou. — Mas do que pode acontecer com você.
Ricardo se aproximou, sentando ao lado dela.
O colchão afundou um pouco, aproximando os dois naturalmente.
Ele segurou a mão dela devagar, como se fosse uma coisa preciosa demais para apertar.
— E