Augusto Villar
O barulho do motor era baixo, constante, quase hipnótico. A estrada se estendia à nossa frente como uma fita escura, recortada apenas pelos faróis do carro e por postes espaçados que derramavam uma luz amarelada sobre o asfalto. A cidade ia ficando para trás devagar, como se aquele salão cheio de olhares, sorrisos forçados e palavras afiadas estivesse sendo dissolvido pela distância.
Maria Rita estava sentada ao meu lado, quieta demais.
Não era o silêncio curioso de quem observa