Entre dimensões e sangue

Luna deu o primeiro passo.

Ela não parecia mais assustada, não correu, nem chorou. Deu um passo pequeno, quase tímido, mas definitivo. Deixou o seu ursinho cair no chão frio do quarto, como se abandonasse ali o último vestígio da infância que ainda a ancorava. A mão de Azrael envolveu a dela — fria e inevitável.

O mundo pareceu se fragmentar.

Fazendo a casa desaparecer em uma espécie de estalo silencioso. O ar se dobrou, as paredes se dissolveram, e Luna sentiu o corpo ser puxado para dentro de algo que não era espaço e não tinha tempo. Um lugar onde as regras humanas não valiam de nada.

Quando voltou a sentir que respirava, estava em um outro mundo.

Havia chão e parecia ser feito de pedra viva, pulsando suavemente sob seus pés descalços. O céu não era céu — era uma vastidão em movimento, negro e vermelho se misturando como sangue em água. Não havia sol, nem lua. Apenas uma luz difusa e eterna.

— Onde… onde estamos? — perguntou, a voz ecoando de forma estranha.

Azrael a soltou com
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