Lá no entre-mundos, a mente de Luna estava cada vez mais dominada pelo controle de Azrael. Não havia pressa, não havia correntes visíveis ou ordens gritadas. Era ainda pior. Estava ocorrendo de forma sutil. Insidioso. Um sussurro constante que se infiltrava nos pensamentos, remodelando memórias, distorcendo sentimentos, apagando fronteiras entre quem ela era e quem ele queria que ela se tornasse.
Pouco a pouco, seu coração estava se entregando.
Ele sentia essa proximidade — e, consequentemente, as sombras também sentiam.
Elas se moviam ao redor de Luna como criaturas famintas, sussurrando promessas de poder e pertencimento. Não havia mais estranheza naquele lugar. Havia conforto. Um conforto muito perigoso.
Ambos se deliciavam. Tanto Azrael quanto as sombras.
— Ela é nossa — ecoaram as vozes, em uníssono.
Luna fechou os olhos. Por um instante, e imagens de sua mãe, do pai e de Josette lutavam para sair… mas Azrael pressionou suavemente sua mente, a fazendo voltar ao presente. A ele.