O processo chegou à mesa de Henrique às dez da manhã. Aurora percebeu que era grave antes mesmo de ele falar qualquer coisa. Não pelo volume da pasta, mas pela forma como ele a largou sobre a mesa.
— Temos um problema — disse Henrique, sem ironia.
Aurora se aproximou, já folheando os documentos.
— Quando você diz “problema”, estamos falando de qual nível? Multa, exposição midiática ou falência?
— Todos — respondeu ele. — Um cliente grande. Acusação de fraude internacional. Se perdermos isso, a empresa vira manchete.
Aurora respirou fundo.
— Ótimo. Nada como começar a semana com um pequeno apocalipse corporativo.
Henrique lançou um olhar rápido para ela.
— Você sempre consegue deixar situações catastróficas… simpáticas.
— Não é simpatia — corrigiu ela. — É mecanismo de defesa.
Sentaram-se lado a lado na sala de reuniões menor, longe do fluxo principal. Computador aberto, contratos espalhados, café esquecido sobre a mesa.
O clima não era tenso como antes. Era conce