Henrique chegou cedo.
O segurança da portaria estranhou. A recepcionista olhou duas vezes para o relógio. O elevador subiu sem pressa, como se também não estivesse acostumado àquele horário.
Nada disso passou despercebido por Feritz.
Quando Henrique entrou no andar da presidência, o pai já estava de pé, observando a cidade pela parede de vidro.
— Bom dia — disse Henrique, neutro.
Feritz virou-se lentamente, avaliando-o dos pés à cabeça.
— O elevador deve ter achado que você errou o prédio.
Henrique soltou um meio sorriso.
— Engraçado.
— Não — respondeu Feritz. — Inédito.
O silêncio entre os dois durou alguns segundos.
— Dormiu bem? — perguntou o pai, casual demais para ser casual.
— O suficiente.
Feritz assentiu, como quem registra algo mentalmente.
— Interessante.
Henrique franziu levemente o cenho.
— O quê?
— Mudanças de hábito geralmente têm motivo — disse Feritz. — Só espero que, dessa vez, não seja uma crise existencial.
Henrique desviou o olha