Era horário de almoço e Júlia resolveu convidar Aurora para comer com ela. Desde o primeiro dia, Júlia simpatizara com Aurora, e o sentimento fora recíproco. Em um restaurante discreto, longe dos olhares atentos da Lancaster Global Law, Júlia se permitiu relaxar. Aurora percebeu que, ali, Júlia não era apenas a herdeira, mas uma mulher cheia de dúvidas e sonhos próprios.
— Sabe, Aurora… às vezes sinto que tudo o que faço é para manter o legado da família, não para mim — confessou Júlia, mexendo distraidamente no prato.
— E se você pudesse escolher, faria o quê? — perguntou Aurora, sincera.
Júlia sorriu, surpresa com a pergunta.
— Talvez eu só quisesse ser ouvida, sem precisar provar nada o tempo todo.
Conversaram por horas. Naquele almoço, o laço entre as duas se fortaleceu. Aurora sentia que, ao lado de Júlia, podia ser ela mesma, sem precisar se defender. E Júlia, por sua vez, encontrava em Aurora uma amiga verdadeira, alguém que não a via apenas como a filha do dono.
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