O jantar em casa era silencioso, mas não desconfortável. O tipo de silêncio que vinha da convivência antiga, onde ninguém precisava preencher cada espaço com palavras.
Eda servia o arroz com a calma de sempre, organizando os pratos como se aquilo fosse um ritual de ordem num mundo previsível. João comentava algo sobre o noticiário, a voz baixa, pausada, falando de economia, de instabilidade, de gente que perdia tudo por escolhas erradas.
Aurora assentia de vez em quando, mas não ouvia de ve