O camarim fervia de vozes, risadas nervosas, passos apressados. Eu estava sentada diante do espelho, encarando meu próprio reflexo como se tentasse memorizar aquele momento.
A maquiagem pesada nos olhos me deixava com um ar quase felino, dramático, perigoso. O corset apertava minha cintura, o short deixava as pernas à mostra sem pudor algum, e o sobretudo vitoriano aberto não escondia absolutamente nada — era mais um manifesto do que uma roupa. As meias de liga apareciam sem vergonha acima dos