Fruta proibida

NARRAÇÃO DE BELA...

Eu jurava que estava sendo uma ótima espiã. Em nenhum momento seus olhos encontraram os meus enquanto eu o seguia. Foi desafiador — até ele me fazer aquela pergunta. Era como se eu tivesse conhecido o próprio mago… Como ele soube que eu o seguia, se sequer me olhou?

E, como se não bastasse, ainda passei vergonha. Cinquenta tons de cinza?! Por Deus! Tantos livros para escolher… isso só podia acontecer comigo.

Era o destino dizendo: Pare. Meu pai deixou claro que eu não deveria olhá-lo, muito menos falar com ele. O problema é que quebrei todas as regras — e gostei. Principalmente por ele ser discreto, fechado, popular e muito gato. Quando aqueles olhos puxados me fitaram, perdi a fala. Acho que nunca conversei com alguém com tamanha beleza.

Ok. Preciso levar isso para o túmulo. Do contrário, meu pai declara guerra ao mundo inteiro.

Fiquei alguns minutos parada no corredor da biblioteca, tentando recuperar o fôlego. A adrenalina ainda pulsava nas minhas veias, tudo por causa daqueles olhos… Os lábios, o nariz — ele carrega um sarcasmo sedutor sem precisar dizer uma palavra. Seu rosto já deixa tudo claro. Não julgo as garotas por desejá-lo… Deve ser muito bom beijar um gato daqueles. Pena que não é para o meu bico. Papai não deixa.

Resmunguei comigo mesma, ajeitei a mochila nas costas e saí da biblioteca frustrada. Como Julie aguentou isso por tanto tempo — e ainda aceita? Eu sempre me revoltei. Sempre bati de frente com meu pai para estudar fora de casa, queria liberdade. Ouvi dizer que, no passado, papai tinha fama de O Dom com coração de gelo. Mas acho que esse gelo ainda está lá. Nos esconder, nos prender… só pode estar completamente congelado.

O sinal tocou. Lembrei do aviso de Lucas: ir direto para o ginásio. Apesar da escola ser imensa, não me senti perdida. Fui esperta ao seguir um grupo de alunos da minha sala.

Ao chegar, o professor de educação física interrompeu suas anotações ao me ver. Aproximou-se com aquele olhar curioso.

— Bom dia. Você é a herdeira Dawson?

Forcei um sorriso. Ali entendi que papai já tinha colocado mais um vigia.

— Sim… — respondi com sarcasmo. Odeio ser monitorada.

— Ótimo. Vá para a arquibancada. A partida de basquete vai começar em instantes.

Assenti ao passar por ele. De longe, procurei Lucas com os olhos. Quando o avistei, estava ao lado da loira por quem ele é claramente interessado. Ele disfarçou, fazendo um gesto para eu manter distância.

Por que ele é tão complicado? Sou apenas a prima dele. Poderia, no mínimo, me apresentar para eu me sentir mais entrosada. Por enquanto, eu me sentia como um peixe fora d’água. As pessoas esbarravam em mim, os lugares eram ocupados antes que eu chegasse. O pior era não poder exercer meu “poder” de herdeira, mandar e desmandar como fazia com professores particulares e funcionários da mansão. Aqui, cada um por si — afinal, todos são herdeiros.

Finalmente encontrei um lugar logo à frente, em frente ao estádio de basquete. Pigarriei ao ver todos rindo com seus grupos e amigos, enquanto eu abraçava apenas minha mochila. Uma garota ao meu lado riu ao notá-la.

— Por que você usa isso?

— Perdão? — franzi as sobrancelhas, confusa.

— Você tem armário. Todo mundo tem. Não precisa ficar carregando mochila para cima e para baixo. Parece que nunca estudou numa escola.

Ela apontou para minha mochila com certo desprezo. A princípio, achei que fosse gentileza, mas logo riu junto com as amigas.

— Eu gosto de andar com minha mochila porque minha arma está aqui. Vim preparada. Odeio provocações. Odeio mesmo. Tenho pavio curto, como meu pai. Pelo menos é o que todos dizem…

Arqueei uma sobrancelha. As risadas cessaram. Respirei fundo, irritada, ajeitando a mochila novamente. Ok… não menti. Não é um revólver, mas é uma arma branca. Meu canivete. Não sou uma donzela de contos de fadas esperando ser protegida. Eu me protejo sozinha.

Enquanto ignorava aquelas garotas, notei os jogadores entrando. A maioria era extremamente alta e forte. As líderes de torcida sacudiam os pompons, gritando animadas. Havia um time azul, com o símbolo de um lobo, e outro vermelho, com uma águia. Suspirei ao ver Kaito — o japonês lindo — no time azul, o líder. Seus colegas batiam em sua mão antes do início do jogo. Então, seus olhos encontraram os meus.

Segurei o riso, mantendo o olhar fixo nele. Já ele parecia indiferente. Desviou o olhar como se eu fosse insignificante. Senti raiva, respirei pesado. Agora entendo papai… é inimigo mesmo.

Fiquei entediada, torcendo para o time dele perder, mas a sorte não estava ao meu favor. Sempre que ele marcava pontos, a escola inteira vibrava. E eu o xingava mentalmente — só porque é rápido, definido, alto… só porque é bonito. Quase todas as garotas gritavam:

— Kaito, faz ponto pra mim!

Revirei os olhos, completamente entediada. Mas, de fato, a sorte não estava comigo. Kaito tentou passar a bola para um colega, mas errou e acertou meu rosto.

Pensa.

Um silêncio sufocante se instalou. Todos os olhares se voltaram para mim. Apenas o som da bola quicando no chão ecoava. O japonês idiota travou, todo suado, respirando pesado, sem esboçar reação. A raiva explodiu quando ouvi algumas risadas.

Abri minha mochila. O sangue ferveu.

Peguei meu canivete e, sem hesitar, furei a bola. Em seguida, levantei-me, silenciando risadas e cochichos. Odeio quando riem de mim. Saí dali respirando fundo, me perguntando se realmente valia a pena estudar naquele lugar.

Quando achei que caminhava sozinha pelo corredor, ouvi a voz dele:

— Não precisava furar a bola, novata.

Virei-me, irritada.

— Eu precisava furar você!

Grunhi — mas engoli em seco quando ele se aproximou, ainda suado. Fiquei travada quando parou à minha frente, segurou meu queixo e virou meu rosto, analisando o local onde a bola havia atingido.

— Não ficou feio… Foi mal. Não foi de propósito. Mas você é bem bravinha… brava demais, novata.

Meu coração disparou, como se fosse infartar. Ele me olhava direto nos olhos, com um pequeno sorriso de canto. Afastei-me, nervosa, com as pernas bambas. Ele é um inimigo… mas me fascina. Como uma fruta proibida no jardim do Éden — e eu queria morder.

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