Clarice Martins
Minhas mãos foram parar em minha boca. Dei um passo para trás, mas ele ergueu as mãos para segurar meus braços.
Um lado queria se desvencilhar e sair correndo feito uma garotinha assustada. E outro lado queria aceitar logo a situação não tão desvantajosa.
Seus dedos mal tocaram em meus braços, eu já baixava minhas mãos abertas para afastar seu toque de mim, mas não dei outro passo atrás.
Ele me observou por alguns segundos. Eu o estava vendo pela primeira vez depois de muito tempo; a versão Damien não era real, então o teatro tinha acabado agora e a verdadeira pessoa por trás do ato tinha revelado seu rosto ainda marcado.
— Clarice. — ele sussurrou.
Só agora eu notava que nada tinha sido ilusão da minha cabeça. A voz era a mesma, o jeito de falar, o corpo, a altura, tudo era o mesmo.
Os olhos… agora eu podia vê-los e compreendia por que ele os tinha escondido de mim. Eu reconheceria aqueles olhos.
— Anos de terapia… tudo para aceitar sua partida… — ele ficou em