Clarice Martins
Uma onda de lembranças me atingiu, me deixando desnorteada assim que o bebê sumiu dos meus braços.
Por apenas um momento, eu pude reviver tudo que havia passado — lembranças de antes, vívidas, capazes de acalentar ou esfaquear a alma.
Ciente da razão daquela dor, eu tentei muito não ter os olhos marejados, mesmo com a alma destroçada por dentro. Aramis e eu não tínhamos vivido um romance de verdade.
Pelo menos não havia chegado a virar um relacionamento. Não tinha sido mais do que dois encontros noturnos, uma visita à delegacia onde pude conhecê-lo, um encontro na estrada, uma conversa do elevador aos corredores do hospital — quase um tour — e o dia em que tentei ajudá-lo depois do seu “acidente”, que na verdade havia sido um atentado à sua vida.
Se eu tivesse sido menos dura com a situação e mais receptiva, talvez tivéssemos ao menos esclarecido as coisas.
— Você está bem? — a voz familiar me chamou.
Damien tinha uma expressão preocupada em seu rosto.
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