Capítulo 63
Ezequiel Costa Júnior
Fechei a porta do escritório atrás de mim e respirei fundo, sentindo o cheiro de madeira polida e lembranças distorcidas. Sara se encostou à escrivaninha como se o tempo não tivesse passado, como se ainda soubesse exatamente onde pisar pra me deixar desconfortável.
— É verdade que você não lembra de nada? — perguntou com aquele tom que misturava curiosidade e ironia.
A encarei com firmeza.
— Não de tudo. Algumas coisas voltam em flashes. Lugares, nomes… sensa