POV Amara
Duas semanas.
É estranho como duas semanas podem parecer uma vida inteira quando você quase perdeu a sua.
O médico fala, mas eu demoro a entender. As palavras chegam como se atravessassem água antes de alcançar meus ouvidos.
— …sua recuperação está ótima. Os exames estão estáveis. Podemos liberar sua alta hoje.
Alta.
A palavra ecoa dentro de mim como algo grande demais para caber no peito. Eu olho instintivamente para o berço transparente ao lado da cama, vazio. E é aí que a realidade me puxa de volta pelo tornozelo.
— E o meu filho? — pergunto, a voz rouca.
O médico suaviza o olhar. Sempre fazem isso quando a resposta não é a que você quer ouvir.
— Ele ainda precisa de mais uma semana. Prematuros tardios costumam ir muito bem, mas queremos que ele complete o tempo gestacional com segurança. Mais sete dias. Observação. Ganho de peso. Estabilidade total.
Sete dias. Sete dias longe dele.
Eu assinto. Porque não existe outra opção. Porque ser mãe também é isso: aceita