LIVRO 2
O silêncio na Vila Esperança às quatro da manhã de uma terça-feira de 1997 não era o silêncio do abandono, mas o de uma máquina bem azeitada em repouso. Beatriz acordou antes do despertador, um hábito que o trauma dos incêndios passados gravara em seu sistema nervoso. Ela se levantou silenciosamente, cuidando para não despertar Caio, que dormia com o braço pesado sobre o travesseiro — o rosto dele, mesmo no sono, ainda carregava as linhas de expressão de quem carregara o peso de u