Salão Nobre do Tribunal de Justiça, com seu teto abobadado de afrescos neoclássicos e o aroma pesado de papel envelhecido e cera de assoalho, servia como o palco final de uma farsa que durara décadas. O silêncio era tão denso que o som do martelo do juiz parecia um disparo de canhão. No centro do recinto, Caio e Beatriz sentavam-se lado a lado, com os rostos ainda marcados pela poeira do atentado no canteiro de obras, enquanto o ar-condicionado sibilava, alheio ao calor humano que emanava