Mundo de ficçãoIniciar sessãoO sol ainda se erguia timidamente sobre a pequena cidade, pintando as ruas de paralelepipedos com tons dourados e alaranjados. Elara despertou com o coração acelerado, ainda sentindo a impressão do olhar de Kael Draven gravado em sua memória. Cada movimento dele durante a entrevista parecia ter sido calculado, cada gesto transmitia controle absoluto, como se ele não apenas observasse, mas pudesse enxergar através dela.
— Preciso tentar de novo — murmurou, sentando-se na beira da cama e segurando a pasta de anotações. — Não posso deixar passar essa chance. Ela tomou um café apressado, enquanto revisava mentalmente cada momento da entrevista do dia anterior. Recordava a queda da caneta, o barulho dos papéis espalhando-se pelo chão, e como Kael havía simplesmente continuado observando, imperturbável, sem mover um músculo, mas analisando tudo com precisão. Cada detalhe parecia agora essencial para sua próxima chance. Determinada, Elara passou horas preparando propostas. Pesquisou sobre cada setor da Draven Corp, elaborou ideias de produtividade, melhorias de equipe e inovação, e fez gráficos que pudessem impressionar até o mais crítico dos olhos dourados. Pequenos detalhes, pensava ela, poderiam fazer toda a diferença. Enquanto isso, no último andar do prédio imponente, Kael Draven observava a cidade através da parede de vidro. A brisa fria da manhã balançava seu terno, mas seu olhar permanecia firme, penetrante. Arthur, seu secretário pessoal, entrou no escritório com a agenda do dia, sorrindo de forma leve e brincalhona. — Bom dia, patrão. Temos reunião com a equipe de marketing às dez. E... sobre a candidata de ontem, vai chamá-la novamente? Perguntou, tentando soar casual. Kael desviou os olhos da cidade e encarou Arthur por alguns segundos, como se avaliasse se poderia confiar nele com aquela informação. — Não é uma questão de chamá-la... é... algo diferente. Disse ele, controlado, mas uma tensão estranha passava pela sua voz. Arthur ergueu uma sobrancelha, curioso. — Diferente? Isso é bom ou ruim? Kael voltou a olhar para a cidade, respirando fundo antes de responder: — Apenas... prepare a agenda. Quero ver do que ela realmente é capaz. Quero respostas que não se limitem a currículos. O coração de Elara disparou quando entrou novamente na Draven Corp. O prédio parecia ainda mais imponente pela manhã, com o vidro refletindo o céu azul e o movimento da cidade. A recepcionista, reconhecendo-a, sorriu discretamente e a conduziu até a sala de reuniões. — Sr. Draven pediu que você se sentasse aqui. Ele revisará suas propostas pessoalmente disse, abrindo a porta. Elara respirou fundo e entrou. Kael estava de pé, observando a cidade com a postura impecável que o tornava intimidador. Quando percebeu sua presença, virou-se lentamente, e seu olhar dourado perfurou o ambiente, como se cada palavra e gesto dela fossem inspecionados antes mesmo de começar. — Vejo que você não perdeu tempo, disse ele, a voz calma e firme. — Não poderia, senhor. Preparei algumas ideias que acredito que podem aumentar a produtividade e otimizar processos. Respondeu Elara, tentando manter a voz estável, mesmo sentindo o peso da presença dele. Kael fez um leve aceno de cabeça, sinalizando para que ela prosseguisse. Ela abriu a pasta e começou a expor suas propostas: gráficos, relatórios detalhados, estratégias de inovação, sugestões de gestão de equipe. Cada palavra era medida, carregada de determinação e confiança, mesmo que internamente estivesse nervosa. Enquanto falava, sentia os olhos de Kael fixos nela. Era impossível ignorar a intensidade daquele olhar, que parecia analisar não apenas o que dizia, mas a forma como ela respirava, se movia, se expressava. Cada gesto, cada nuance de sua apresentação era observado com atenção quase desconcertante. Quando terminou, um silêncio pesado se instalou. Kael permaneceu sentado, braços cruzados, avaliando cada detalhe. O tic-tac do relógio na parede parecia aumentar o peso do momento. Elara sentiu cada segundo se arrastar, ciente de que estava sendo julgada não apenas pelas ideias, mas por sua capacidade de manter a postura diante de alguém tão dominante. — Impressionante - disse Kael, a voz baixa, mas firme. — Mas... como lidaria com situações em que seus planos fracassem? Elara engoliu em seco. Lembrou-se do incidente da caneta do dia anterior, do impacto de ser avaliada sob pressão, e respirou fundo. Endireitou-se, mantendo o olhar firme. — Aprendendo rapidamente e ajustando a rota, senhor. Nunca repito o mesmo erro duas vezes. Respondeu com convicção. Kael inclinou-se levemente para trás, estudando cada expressão, cada detalhe da postura dela. Por um instante, parecia que o tempo havia parado, como se todo o resto do mundo desaparecesse. — Vejo potencial. Muito mais do que esperava - disse ele, a voz grave, carregada de intensidade. — Mas aviso: meu interesse não é apenas profissional. Quero pessoas que resistam sob pressão, que não se curvem diante do impossível. Um arrepio percorreu a espinha de Elara. Ele falava de maneira direta, mas havia algo mais naquele olhar dourado que a deixava inquieta, algo que parecia sondar além de suas capacidades profissionais, desafiando até sua determinação pessoal. Quando a reunião terminou, Kael fechou o laptop e se levantou. Lançou um último olhar para Elara antes de sair, deixando um silêncio carregado de significado no ar. Ela permaneceu sentada, respirando fundo, sentindo que aquele encontro havia mudado tudo. Não bastava impressionar profissionalmente - precisava provar que poderia resistir, que poderia acompanhar alguém como Kael Draven. Ao sair, os corredores do prédio pareciam mais estreitos, mais pesados. Mas Elara caminhou com passos firmes. Cada olhar, cada sussurro, cada som do ambiente parecia tudo. Não bastava impressionar profissionalmente - precisava provar que poderia resistir, que poderia acompanhar alguém como Kael Draven. Ao sair, os corredores do prédio pareciam mais estreitos, mais pesados. Mas Elara caminhou com passos firmes. Cada olhar, cada sussurro, cada som do ambiente parecia amplificado. Ela sabia que não seria apenas mais uma na Draven Corp. Estava pronta para mostrar sua força, sua inteligência e sua determinação. E Kael, observando à distância, sentiu algo que não esperava: fascínio. Não apenas pelo talento dela, mas pelo fogo indomável em seus olhos, pela coragem silenciosa que se recusava a se curvar diante de sua autoridade. O jogo havia começado. E nenhum dos dois poderia prever até onde isso os levaria.






