BLANCA
Fiquei parada na calçada por alguns segundos, olhando para a rua vazia, o frio da noite entrando pelas mangas da roupa, o coração batendo descompassado, como se tivesse esquecido a ordem das coisas.
Eles iam vir.
Iam perceber.
Iam entender o tamanho do estrago.
Iam correr atrás de mim.
Connor ia descer os degraus apressado, me chamar pelo nome com aquela voz que sempre soube me desmontar. Brooke ia aparecer logo depois, chorando, me abraçando, dizendo que eu era mais importante do que qualquer coisa.
Mas nada aconteceu.
A luz da sala continuou acesa. A cortina não se mexeu. A casa ficou exatamente como estava.
Cheia deles. Vazia de mim.
Até que a luz se apagou e eu sou e que eles haviam escolhido um ao outro.
Foi ali que doeu de verdade.
Não na traição — essa já tinha acontecido.
Não na revelação — eu já tinha sobrevivido a isso.
Doía perceber que nenhum dos dois tinha escolhido me seguir.
Eu caminhei. Não lembro para onde. Só sei que andei rápido demais, como se o corpo esti