Siena Dal
Os dias que se seguiram à minha confissão foram um borrão de exames médicos e planejamento logístico forçado. Fui submetida a todos os testes imagináveis no Hospital Universitário. Cada resultado normal não era motivo de alívio para meus pais, mas sim uma confirmação de que, *por sorte*, minha "imprudência" ainda não havia causado danos. Eu não era uma pessoa; era um projeto de alto risco.
A decisão estava tomada: eu seria transferida para a fazenda em Minas Gerais. O ar puro, a comida orgânica, o isolamento do estresse... era uma receita para o bem-estar que soava como uma sentença de prisão.
As noites eram meu único refúgio. Eu esperava meus pais dormirem e me trancava no banheiro para fazer chamadas de vídeo sussurradas para Wei.
—Eles estão me tratando como uma boneca de vidro—, eu disse a ele, a frustração me fazendo chorar. —Eles confiscaram meu laptop de trabalho, dizendo que eu preciso de "repouso mental". Eles querem que eu fique na fazenda até os bebês nascerem.
Do