O caminho de volta para a casa de Miriam foi silencioso, tão silencioso que o barulho do motor parecia gritar dentro do carro. Bianca estava no banco do passageiro, olhando pela janela, as mãos apertadas no colo. Não falou nada, nem um comentário sobre a festa, sobre Amanda, sobre as meninas. Nada. Só aquele silêncio gelado, doído, que parecia preencher tudo.
Eduardo dirigia com as mãos firmes no volante, mas por dentro estava desmoronando. A imagem de Ariana descendo as escadas ainda estava presa nos olhos dele, o jeito cansado dela, a mão entrelaçada à de Samuel.
Aquilo tinha aberto algo nele que ele achou que estava morto.
Bianca percebeu. Claro que percebeu. E essa era a pior parte, ela sempre percebia e se calava.
Dona Miriam vinha calada e as crianças, dormindo. As irmãs de Eduardo, tinham ficado mais um pouco na rua. Eram jovens.
Quando chegaram, Bianca saiu do carro antes dele desligar. Foi direto para o quarto das crianças. Não esperou boa noite, não esperou ele dizer nada. Si