Helena
Estaciono o carro em frente ao prédio rosa e, por alguns segundos, permaneço com as mãos apoiadas no volante, tentando controlar a respiração. O elevador parece demorar uma eternidade. Quando finalmente chego ao andar dela e a porta se abre, meu corpo inteiro reage antes que eu possa raciocinar.
Os pelos da minha nuca se arrepiam assim que vejo Desirée.
Mas seu olhar não tem alegria. Não há brilho, não há saudade explícita, apenas um cansaço profundo que me atravessa como lâmina.
— Bom dia, Helena. Entra — ela diz, com a voz arrastada de alguém que lutou a noite inteira contra algo que não sabe nomear.
Assim que passo pela porta, noto duas garrafas de vinho vazias no balcão, apenas um copo. Ela bebeu sozinha, e muito. Meu estômago se aperta.
— Está tudo bem? Você parece abatida. Está doente? — arrisco perguntar.
Ela solta o ar como quem carrega um peso.
— Na verdade, não está tudo bem, mas é por outro motivo. Quando descobri que meu irmão era seu marido… eu comecei a relacionar