Capítulo vinte e oito

Desirée

Droga.

Ela saiu pela porta e eu não fiz nada. Fiquei ali, estática, vendo Helena se afastar como se cada passo dela fosse arrancado diretamente do meu peito. Mas o que eu podia fazer? O que eu deveria ter dito?

Será que eu deveria ter confessado tudo, dito que estou perdidamente apaixonada, que anseio pelo seu toque, pelo seu olhar, pelo sabor dos seus lábios? Que me apego de forma quase patética ao quadro dela porque é a única forma de tê-la quando a realidade me nega sua presença?

Eu queria muito beijá-la. Me ajoelhar aos seus pés. Acariciar cada centímetro do seu corpo até que ela esquecesse de tudo que a machuca.

Minha vida está desmoronando sob meus pés.

Olho o relógio. Dez da manhã. As duas garrafas de vinho vazias no balcão parecem rir de mim.

Estou me afundando, e no fundo sei que é por ela.

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Passo a tarde inteira diante do quadro. É como se minha mão pintasse sem que eu ordenasse, como se cada traço fosse uma súplica silenciosa. A tela está se tornando a minha mel
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