Helena
O sol da manhã entra pela janela com a delicadeza de quem sabe que interromper o sono de duas mulheres exaustas poderia ser crime federal. A claridade toca meu rosto devagar, como se pedisse permissão. Abro os olhos e demoro alguns segundos para lembrar onde estou… ou melhor, com quem estou.
O braço de Desirée repousa sobre minha cintura, pesado e quente, e seu rosto encostado na minha nuca me faz sorrir sem controle.
Um sorriso bobo. Um sorriso adolescente. Um sorriso de quem passou a noite inteira pecando e não tem arrependimento nenhum.
Viro devagar e a observo.
Os cabelos negros caem soltos sobre o travesseiro, a boca entreaberta, o peito subindo e descendo com a respiração tranquila. Ela parece tão serena adormecida que fica difícil acreditar que ontem chorou, bebeu e quase se destruiu.
Toco seu rosto com a ponta dos dedos e ela abre os olhos devagar, preguiçosos, iluminados.
— Bom dia, minha ruína favorita — ela murmura, com a voz rouca do sono.
— Bom dia, desastre da min