Helena
Quinta-feira – O Dia do Tribunal
O despertador toca às seis e meia, mas eu já estava desperta havia um bom tempo. A ansiedade não me acordou; ela jamais me deixou dormir. O julgamento de Ângela e Edgar finalmente chegou, e hoje cada movimento meu importa.
Levanto da cama com a sensação de estar pisando em vidro. O quarto parece mais silencioso do que o normal, como se o mundo soubesse que algo grave está prestes a acontecer.
Essa noite dormi em um hotel, longe de Miguel.
A desculpa da gravidez de Bárbara caiu como uma luva para que houvesse uma justificativa para a nossa distância.
Tomo um banho longo, mais quente do que deveria, tentando expulsar o peso que se instalou no meu peito. Ao sair, visto a roupa que escolhi na noite anterior: uma saia lápis verde esmeralda, que molda meu corpo com precisão; uma camisa off-white de tecido fino, abotoada até o alto; e um coque firme, disciplinado, que deixa meu rosto completamente à mostra.
Quando me olho no espelho, por um instante me