A confirmação do projeto chegou na manhã seguinte, formal e objetiva, como tudo que muda a vida de alguém costuma ser. Duas semanas fora. Outra cidade. Outra rotina. Júlia leu o e-mail com atenção, sentindo o peso real da decisão agora assentado nos ombros.
Ela não hesitou.
Respondeu aceitando.
O coração bateu forte depois que clicou em “enviar”, não por arrependimento, mas pela consciência plena do que aquilo significava. Pela primeira vez, ela estava escolhendo algo grande para si mesma sem negociar o próprio valor… e sem pedir que alguém diminuísse para acompanhá-la.
Ainda assim, a alegria veio misturada à dor.
Porque crescer também dói.
Júlia passou o resto da manhã organizando a cabeça antes de organizar a mala. Precisava sentir antes de agir. Sentou-se no sofá, abraçando as próprias pernas, olhando a casa silenciosa. Pensou em Daniel. Pensou em como, meses atrás, teria interpretado essa distância como abandono iminente. Agora, entendia como travessia.
Pegou o celular e ligou.
Da