O tempo passou de um jeito quase imperceptível nos dias que se seguiram. Não em saltos dramáticos, nem em viradas bruscas. Passou em gestos pequenos, repetidos, silenciosos. Júlia começou a perceber que a cura não vinha em grandes revelações, mas em manhãs comuns que deixavam de doer.
Naquela manhã, ela estava sentada à mesa da varanda, uma xícara de café já frio entre as mãos, observando o céu nublado. Pensava em como a vida parecia menos barulhenta agora. Menos urgente. Como se alguém tivesse abaixado o volume do mundo.
Daniel apareceu atrás dela, sem que percebesse. Inclinou-se e beijou-lhe o topo da cabeça.
— Você fica pensativa quando o dia começa assim — ele comentou.
— Eu fico agradecida — ela respondeu. — É diferente.
Ele puxou uma cadeira e se sentou ao lado dela.
— Agradecida por quê?
Júlia respirou fundo antes de responder.
— Por não estar mais tentando consertar tudo de uma vez. Por entender que algumas coisas… só precisam de tempo.
Daniel observou o rosto dela com atenção