Clara
Ainda sinto o peso das palavras de Miguel, mesmo enquanto tento manter minha compostura. Ele tem uma maneira de falar que atinge fundo, como se sua intenção fosse me afastar, como se quisesse provar que eu não deveria me importar.
Mas eu me importo. Não porque ele mereça minha paciência, mas porque acredito no meu trabalho e na conexão que um perfume pode criar. Ele talvez não entenda isso — talvez nunca tenha tido algo tão pessoal quanto um aroma que represente quem você é.
Quando Miguel comentou de forma rude sobre eu tê-lo escolhido, como se fosse um capricho, senti o peito apertar. Não sei se era raiva ou tristeza. Talvez um pouco dos dois. Mas ao invés de me deixar levar por isso, respirei fundo. Aprendi a transformar comentários cruéis em combustível para mostrar que sou mais do que as pessoas esperam.
Enquanto explico os detalhes do meu trabalho, tento não deixar transparecer o que realmente sinto. Mostro minha paixão e faço questão de que ele perceba que, mesmo sem enxer