Miguel
Quando Clara me leva até o laboratório, não sei o que esperar. Sigo seus passos, meio relutante, enquanto ela parece conhecer cada canto daquele espaço. É estranho, quase desconcertante.
Ela começa a explicar o processo, apontando prateleiras e objetos como se pudesse vê-los. Cada palavra carrega entusiasmo, um brilho que não combina com alguém que vive no mundo dela — um mundo cheio de limitações que eu jamais conseguiria imaginar.
— Aqui é onde tudo começa — ela diz, passando as mãos pela superfície da mesa até alcançar uma prateleira com frascos.
Ela me entrega um pequeno vidro. É estranho como suas mãos são precisas, como se ela soubesse exatamente onde tudo está.
— Experimente este. É uma das minhas combinações favoritas.
Pego o frasco, hesitando, e sinto o cheiro. É bom, talvez até ótimo, mas não é isso que me impressiona. É ela.
— Como você consegue fazer isso? — Pergunto antes de conseguir me segurar. — Você é tão... precisa. Parece até que consegue enxergar.
Ela ri, e