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Capítulo 2: A Gaiola de Ouro

A mansão Moretti não era apenas uma casa; era uma fortaleza de mármore branco e vidro negro encravada na costa italiana, um monumento ao poder e à arrogância da Camorra. Quando o SUV blindado parou diante da entrada monumental, Elena sentiu um nó apertar em sua garganta. Ela não era mais a princesa de armas da máfia russa; agora, era apenas um espólio de guerra com um anel de diamante no dedo que pesava tanto quanto uma algema de ferro.

Desde pequena, Elena fora treinada para ser o braço direito de seu pai. Enquanto outras garotas de sua idade aprendiam sobre moda ou romances juvenis, ela aprendia a desmontar uma Glock no escuro e a identificar venenos pelo cheiro. Sua castidade não era um voto de pureza religiosa, mas uma questão de disciplina mafiosa: seu corpo era uma arma, e uma arma não deve ser entregue a ninguém. Ela nunca havia permitido que um homem a tocasse, nunca havia sentido o calor de um beijo. Sua dedicação era total ao sangue e à honra dos Volkov.

Dante desceu do carro com uma elegância letal. Antes que qualquer segurança pudesse se aproximar, ele mesmo abriu a porta para ela, estendendo uma mão que Elena ignorou solenemente. Ela desceu sozinha, mantendo a postura ereta, apesar do cansaço e do trauma daquela noite de massacre.

— Tente correr — Dante sussurrou, aproximando-se o suficiente para que ela sentisse o rastro de seu perfume caro misturado ao cheiro metálico que ainda emanava dele. — E eu garantirei que você aprenda o significado da palavra arrependimento antes mesmo de chegar ao portão principal.

— Você adora o som da sua própria voz, Moretti — Elena rebateu, virando o rosto para encará-lo com um desprezo que escondia o tremor interno. — Mas esquece que eu fui criada no gelo. Suas ameaças não passam de vento.

Dante soltou um riso baixo, sombrio, e envolveu o braço dela com uma firmeza que beirava a dor, conduzindo-a para dentro. O interior da mansão era frio, impessoal e absurdamente luxuoso. O hall de entrada tinha um pé-direito vasto, com lustres de cristal que pareciam dentes afiados pendendo do teto. Dante sinalizou para que os guardas se retirassem, e o silêncio que se seguiu foi tão denso que Elena podia ouvir as batidas aceleradas de seu próprio coração contra as costelas.

— A partir de hoje, suas roupas, suas refeições e cada minuto do seu dia são decididos por mim — Dante declarou, caminhando ao redor dela como um predador avaliando uma caça rara que finalmente havia encurralado. — Você queria ser uma arma contra o meu império, Elena. Agora, será meu adorno mais precioso. Mas não se engane: eu sei que você nunca se entregou a homem algum. Eu sinto o seu medo através da sua pele.

Elena sentiu o rosto esquentar, uma mistura de fúria e uma vulnerabilidade que ela nunca havia experimentado.

— Meu "medo" é apenas nojo, Dante. Você pode ter comprado a minha liberdade com o sangue da minha família, mas nunca terá o que eu protegi a vida inteira por dever ao meu clã.

Dante parou exatamente na frente dela, invadindo seu espaço pessoal de uma forma que a fez recuar um passo, até que suas costas atingissem a parede de mármore frio. Ele apoiou as mãos na parede, cercando-a. A proximidade era insuportável. Elena podia ver cada nuance de cinza nos olhos dele, uma tempestade de obsessão e controle.

— A dedicação que você tinha à sua máfia agora pertence a mim — ele disse, a voz baixando para um tom perigosamente rouco. — Cada grama de disciplina, cada pensamento... e cada centímetro desse seu corpo intocado. Eu vou quebrar essa sua armadura, Elena. Vou fazer você esquecer que um dia serviu a outro mestre.

Ele estendeu a mão e, com as costas dos dedos, acariciou o pescoço dela, descendo lentamente até a clavícula. Elena estremeceu violentamente. Era o primeiro toque masculino que ela sentia na pele de forma tão íntima, e a sensação era uma mistura aterrorizante de repulsa e uma faísca elétrica que ela não sabia como apagar.

— Tire a mão de mim — ela sibilou, a voz falhando levemente, o que a deixou ainda mais furiosa.

— No devido tempo, piccola — Dante sorriu, um sorriso que não tinha nada de gentil. — Mas agora, vá para o seu quarto. Limpe o sangue dos seus inimigos da sua pele. Eu quero você impecável para o nosso jantar. E não se esqueça: eu trancarei a porta por fora.

Ele se afastou, deixando-a ali, trêmula e queimando de ódio. Elena observou-o subir as escadas, sabendo que a batalha pela sua alma e pela sua pureza estava apenas começando. Ela era uma soldada, e soldadas lutam até o fim, mesmo quando o inimigo já está dentro de suas muralhas.

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