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Aliança de sangue
Aliança de sangue
Por: Raven Black
Capítulo 1: O Pacto de Cinzas

O cheiro de pólvora ainda impregnava as cortinas de veludo da mansão Volkov, misturando-se ao odor metálico de sangue que parecia subir do assoalho de madeira nobre. Elena não chorou. Lágrimas eram para os fracos, e seu pai a ensinara desde cedo que, no mundo do sangue, o único líquido que importava era o que corria nas veias dos seus inimigos. Ela observava as sombras das chamas que ainda consumiam parte do jardim através da janela, sentindo o peso do silêncio que agora ocupava o lugar onde antes havia o som de risos e ordens em russo.

Ela estava ajoelhada no centro do escritório, as mãos amarradas atrás das costas com um lacre de nylon que cortava sua pele pálida a cada movimento brusco. A dor era um lembrete constante de sua falha. À sua frente, sentado na poltrona de couro que poucas horas antes pertencia ao seu pai, estava Dante Moretti. Ele não parecia um homem que acabara de liderar um massacre; ele parecia um deus pagão da destruição, colhendo os frutos de sua crueldade com uma calma aterrorizante.

O terno preto sob medida, sem um único vinco, contrastava com as manchas de sangue seco em seus nós dos dedos. Dante girava uma adaga de prata entre os dedos longos, observando Elena com uma intensidade predatória que a fazia sentir-se despida de todas as suas defesas.

— Você tem olhos de sobrevivente, Elena — a voz de Dante era um barulho grave, como um trovão distante que anunciava uma tempestade inevitável. — Mas sobreviventes em meu território costumam ter vida curta se não souberem onde é o seu lugar.

— Então me mate de uma vez, Moretti — ela cuspiu as palavras, o queixo erguido e os olhos queimando com um ódio que nem mesmo a morte poderia apagar. — Ou você prefere latir antes de morder? Sua linhagem sempre foi feita de covardes que atacam pelas costas.

Dante levantou-se com uma agilidade predatória que fez os sentidos de Elena gritarem por perigo. Em um segundo, ele estava agachado diante dela, invadindo seu espaço pessoal. Ele segurou o rosto de Elena com uma mão de ferro, os dedos apertando suas bochechas com força suficiente para deixar marcas. O polegar dele pressionou o lábio inferior dela, esmagando-o contra os dentes até sentir o gosto de sangue.

— Morder? Não, piccola. Eu vou fazer algo muito pior. Eu vou manter você viva para que assista ao seu nome ser apagado da história enquanto o meu se torna a sua única religião.

Ele se aproximou do ouvido dela, o hálito quente de menta e tabaco causando um arrepio involuntário que Elena odiou sentir.

— Sua família me deve milhões. Suas terras agora são minhas por direito de conquista. Mas o sangue Volkov ainda tem utilidade para legitimar meu domínio sobre as rotas do norte. Então, aqui está o acordo que salvará o pescoço dos seus soldados restantes: você se torna minha esposa. Você carrega meu nome, dorme na minha cama e obedece a cada comando meu, por mais sombrio que seja.

Elena riu, um som seco, rouco e sem humor que ecoou pelas paredes vazias.

— Você quer uma boneca de máfia para exibir em jantares? Escolheu a mulher errada, Dante. Eu vou cortar sua garganta enquanto você dorme, e vou rir enquanto o seu império desmorona sobre o seu cadáver.

Dante sorriu, um sorriso sombrio que nunca chegava aos seus olhos frios como o gelo da Sibéria. Ele apertou ainda mais o rosto dela, sua obsessão brilhando no olhar de uma forma que ela nunca vira antes.

— É exatamente isso que eu espero que você tente, Elena. Vai tornar as nossas noites muito mais interessantes. Gosto de saber que meu troféu morde de volta. Mas saiba de uma coisa... a partir de hoje, você não pertence mais a si mesma. Você é minha propriedade. Minha obsessão. Minha até que eu decida que você não serve mais.

Ele cortou o lacre das mãos dela com um movimento rápido da adaga, a lâmina roçando a pele dos pulsos dela. Antes que ela pudesse reagir ou desferir um golpe, Dante a puxou para cima com violência, colando seus corpos. A mão dele desceu perigosamente pela cintura dela, apertando a carne com uma posse bruta, enquanto a outra se enterrava em seu cabelo.

— Bem-vinda ao seu novo inferno, Sra. Moretti. Espero que goste do fogo, porque eu não pretendo deixar você queimar sozinha.

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