Narrado por Elena Volkov
Eu não tive tempo de processar a dor da traição do meu próprio pai. Fui arrastada pelos guardas de Dante até o escritório dele no subsolo. O ambiente era frio, revestido de pedra e couro escuro, cheirando a charuto e perigo. Dante estava sentado atrás de sua mesa maciça, as mangas da camisa branca dobradas, revelando as tatuagens que agora eu conhecia pelo tato.
— Saiam — ele ordenou aos guardas. A voz dele era um trovão contido.
A porta se fechou com um estalo metálico. Eu estava em pé, trêmula, vestindo apenas o roupão de seda dele que eu não tive tempo de trocar.
— Dante, por favor, me escuta... — comecei, mas ele se levantou com uma agilidade predatória e, em dois passos, estava na minha frente.
Ele segurou meu rosto com uma mão só, os dedos apertando minhas bochechas com força suficiente para me fazer olhar diretamente em suas íris cinzentas e tempestuosas.
— Você me deu o seu corpo, Elena. Você chorou no meu colo. Você me deixou marcar você como minha —