Respirei fundo, ignorando a dor que latejava em todo o meu corpo. Era hora da verdade, por mais cruel que fosse.
— Me olha, minha filha. — Minha voz estava mais suave agora.
Ela se virou lentamente, com o rosto inundado de lágrimas.
— Você me via feliz em casa? Quando seu pai estava lá… a gente parecia um casal que se amava? Você via a gente rindo, se abraçando, se beijando com carinho?
Ela hesitou, limpando o rosto com as costas da mão, e então balançou a cabeça, um movimento pequeno e negativo.
— E você sabia… que ele batia em mim, não é? Você ouvia. Você via as marcas e vinha me perguntar como eu tinha me machucado.
Ela começou a soluçar, um choro de culpa e confusão, e balançou a cabeça novamente, mais forte dessa vez, como se tentasse negar a verdade para si mesma.
— Alana, escuta a mamãe.
Minha própria voz estava trêmula, e as lágrimas já começando a escorrer.
— Eu amei seu pai por muito tempo. A gente se conheceu, logo eu engravidei de você, e ele me assumiu e nos casamos…