Cap.142

Respirei fundo, ignorando a dor que latejava em todo o meu corpo. Era hora da verdade, por mais cruel que fosse.

— Me olha, minha filha. — Minha voz estava mais suave agora.

Ela se virou lentamente, com o rosto inundado de lágrimas.

— Você me via feliz em casa? Quando seu pai estava lá… a gente parecia um casal que se amava? Você via a gente rindo, se abraçando, se beijando com carinho?

Ela hesitou, limpando o rosto com as costas da mão, e então balançou a cabeça, um movimento pequeno e negativo.

— E você sabia… que ele batia em mim, não é? Você ouvia. Você via as marcas e vinha me perguntar como eu tinha me machucado.

Ela começou a soluçar, um choro de culpa e confusão, e balançou a cabeça novamente, mais forte dessa vez, como se tentasse negar a verdade para si mesma.

— Alana, escuta a mamãe.

Minha própria voz estava trêmula, e as lágrimas já começando a escorrer.

— Eu amei seu pai por muito tempo. A gente se conheceu, logo eu engravidei de você, e ele me assumiu e nos casamos…
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