Capítulo 6

Helena estava deitada, o livro aberto sobre o peito, mas as palavras eram apenas borrões. O silêncio da mansão era opressor, uma redoma de luxo que parecia abafar seus próprios pensamentos.

Até que um vidro quebrou.

O som estilhaçou a paz artificial da casa. Gritos. O baque de móveis sendo derrubados. Helena saltou da cama, o coração disparando contra as costelas. Ela correu para o corredor, os pés descalços afundando no tapete caro enquanto as vozes subiam como labaredas.

— VOCÊ É UM DEMÔNIO, LORENZO! — O grito de Matteo ecoou, carregado de um ódio cru, visceral.

Helena parou à porta do escritório, a respiração presa. Através da fresta, a cena era um pesadelo em tons de mogno e sangue.

— Saia da minha casa — a voz de Lorenzo veio baixa, gelada, mas havia uma vibração nela que Helena nunca tinha ouvido. O gelo estava começando a trincar.

— Eu não vou sair daqui sem ela! Você a comprou, mas ela não te pertence!

— Ela é minha agora, Matteo — Lorenzo sibilou, cada sílaba caindo como um martelo. — No papel, no nome e sob o meu teto. Ela é minha.

A palavra "minha" reverberou pelo corredor, fazendo o estômago de Helena dar voltas. Matteo soltou uma risada insana, o cheiro de uísque e fúria inundando o ar. Ele avançou, derrubando um vaso de cristal que se transformou em mil lâminas no chão.

— Helena! — Matteo gritou, cambaleando. — Eu vim te buscar!

Lorenzo saiu de trás da mesa em um movimento predatório, interceptando o irmão. Matteo, cego de álcool e ciúme, pegou um pedaço de vidro do chão. O brilho da luz no cristal quebrado foi o último aviso.

Tudo aconteceu em um borrão. No momento em que Matteo avançou contra o peito de Lorenzo, Helena se atirou entre eles. Um instinto de preservação que ela nem sabia que possuía.

A dor foi uma linha de fogo cruzando sua palma. O vidro rasgou a pele, e o calor do sangue escorrendo foi imediato.

— Helena, não! — O grito de Matteo foi um lamento de agonia.

Os seguranças invadiram a sala, arrastando um Matteo em colapso para fora. Lorenzo ignorou o caos. Ele segurou Helena pelos ombros, os olhos azuis agora dilatados de choque enquanto observavam o vermelho vivo manchando o carpete branco e o vestido de seda dela.

O mundo girou. O rosto de Lorenzo foi a última coisa que ela viu antes da escuridão a levar.

Quando Helena abriu os olhos, o teto do quarto parecia flutuar. A mão latejava, envolta em gazes impecáveis. O médico da família saía do quarto, deixando Lorenzo sentado ao pé da cama. Ele ainda usava a camisa da briga, desabotoada no pescoço, com os punhos manchados com o sangue dela.

— Como você está? — ele perguntou, a voz rouca.

— Eu... eu acho que estou bem. — Helena tentou se sentar, mas a fraqueza a puxou de volta. — Por que eu fiz aquilo?

— Porque você é impulsiva. E porque meu irmão é uma bomba relógio que eu deveria ter desativado há anos. — Lorenzo se aproximou, a intensidade de seu olhar fazendo a pele de Helena arrepiar.

Ela olhou para baixo, vendo as manchas secas de sangue no próprio braço, no vestido champagne que agora parecia um figurino de tragédia.

— Eu preciso de um banho — sussurrou ela, o nojo daquela cena impregnado em seu corpo.

— Eu ajudo você.

Os olhos de Helena se arregalaram. — Não! Eu consigo...

Lorenzo levantou-se, a presença dele ocupando cada centímetro do quarto. Ele caminhou até ela e, com uma delicadeza que contrastava com a violência de minutos atrás, ajudou-a a ficar de pé.

— Você não pode molhar esses pontos hoje, Helena. — Ele a conduziu até o banheiro de mármore, onde a luz suave criava sombras íntimas. — E não me olhe assim. Somos marido e mulher agora, esqueceu? O contrato exige convivência plena.

Ele começou a abrir o fecho do vestido dela. Helena sentiu o calor dos dedos dele roçando suas costas, um contraste gritante com a frieza de suas palavras.

— Você disse... sem sentimentos — ela lembrou, a voz falhando enquanto o tecido deslizava pelo seu corpo.

Lorenzo parou, as mãos ainda em seus ombros, olhando o reflexo de ambos no espelho. A fragilidade dela cercada pelo poder dele.

— Eu disse sem sentimentos — ele murmurou, o hálito quente perto da orelha dela. — Mas eu nunca disse que não cuidaria do que me pertence.

Ele ligou a água, e Helena soube, naquele momento, que o perigo de Lorenzo era muito mais silencioso — e sedutor — do que a fúria de Matteo.

A respiração dela era um caos. Ele se livrou da calcinha de renda dela com uma agilidade predatória. Sem coragem de encará-lo, Helena caminhou para debaixo do chuveiro, o coração martelando contra as costelas. Por um segundo, o silêncio a fez pensar que ele tinha desistido, mas a voz rouca e perigosamente baixa dele logo preencheu o espaço:

— Cuidado para não molhar o curativo na mão.

A água morna começou a cair, mas o que fervia era o toque de Lorenzo. Ele pegou o sabonete, deslizando a barra pelos ombros, descendo pelas costas e contornando seus braços. Ele estava tão perto que Helena sentia o volume rígido dele roçando em suas nádegas.

Como ele se despiu tão rápido? Ela se perguntou, sentindo o membro latejante dele pressionar sua lombar.

Quando as mãos dele migraram para a frente, subindo do pescoço para apertar seus seios com força, Helena soltou o primeiro suspiro audível. Ele colou o peito nu nas costas dela, e a sensação do p* pulsante contra sua pele a fez perder o chão.

Ela girou o rosto por cima do ombro, os lábios entreabertos para protestar ou implorar, mas Lorenzo selou qualquer dúvida com um comando:

— Shhh... Fique quietinha.

Enquanto uma mão continuava a castigar o bico de seu seio, a outra desceu sem pressa, mergulhando entre as pernas dela. Ele encontrou o que procurava: Helena estava encharcada, implorando por ele, traída pelo próprio desejo que tentava esconder.

— Então você gosta assim, não é? — ele rosnou, a voz vibrando contra o ouvido dela.

Ele forçou a mão boa dela contra a parede de azulejos e puxou o quadril de Helena para trás, encaixando-a perfeitamente em sua ereção. Mas, no momento em que ele se posicionou para rasgá-la ao meio, o pânico brilhou nos olhos dela.

— Espera... Lorenzo... eu nunca...

O olhar dele escureceu instantaneamente. Ele não recuou por cavalheirismo, mas por uma fome que parecia ter mudado de natureza. Ele desligou o chuveiro abruptamente. Sem dizer uma palavra, enxugou-a com movimentos rudes e precisos, antes de fazer o mesmo consigo.

Helena sentiu o peso da frustração. Ele vai parar? O contrato prevê dois anos de castidade agora? Ela se sentiu pequena, incompleta.

Mas Lorenzo tinha outros planos.

Ele a carregou para a cama, jogando o corpo dela contra os lençóis e livrando-se da própria toalha. O que Helena viu a deixou sem fôlego; ele era enorme, uma visão de poder e virilidade que a assustava e a excitava na mesma medida.

Ele atacou seus seios como um animal faminto, a boca quente e a língua ávida fazendo-a arquear as costas. Quando ele desceu para o meio de suas pernas, Helena perdeu a noção de quem era. Ele a devorou até que ela atingisse um clímax violento, os dedos cravados nos lençóis enquanto gritava o nome dele.

Sem dar tempo para ela se recuperar, Lorenzo se posicionou entre suas coxas.

— Olhe para mim — ele ordenou, a voz carregada de luxúria.

Ele começou a penetrá-la. Devagar, centímetro por centímetro, expandindo-a, reivindicando aquele território virgem com uma possessividade brutal. Helena sentia a ardência, a pressão insuportável, mas quando ele parou, totalmente enterrado nela, a sensação de plenitude era quase insuportável.

— Se você sair agora... eu mato você — ela sussurrou, a voz embargada.

Lorenzo sorriu, um sorriso sombrio e vitorioso. Ele esperou que ela se acostumasse com seu tamanho antes de começar a se mover. Primeiro com estocadas lentas e profundas, depois perdendo o controle, transformando o ritmo em algo frenético e animal. O som dos corpos colidindo e os gemidos de Helena preencheram o quarto até que ambos explodissem, perdidos em uma descarga de prazer que nenhum contrato seria capaz de descrever.

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