Inácio Hall
Amélia me olhava como se fosse pular em cima de mim a qualquer momento. Seus olhos queimavam com uma mistura de curiosidade e um aviso perigoso.
— Seja sincero comigo, Inácio — ela começou, com uma calma que me deixou em alerta. — Você gostava dela? Sentia alguma coisa pela Dove?
Engoli em seco. A resposta que gritava dentro de mim era: sim. Mas eu não podia dizer isso. Se o fizesse, seria como reconhecer que, em algum momento da minha vida, desejei ter a mulher do meu irmão nos braços. E isso era algo que eu jamais admitiria em voz alta, nem para mim mesmo.
— Não... claro que não — neguei, forçando a voz a soar firme. — Ela é a mulher do meu irmão. Jamais teria tais pensamentos. Aquele beijo foi um erro, um delírio que nunca voltará a acontecer.
Ela continuava a me observar com desconfiança. Eu precisava pensar rápido. Eu não estava mentindo sobre amá-la; Dove era passado, um erro escrito a caneta, impossível de apagar, mas Amélia era o meu presente.
Amélia se aproximou,