Selene
A lua não nasceu no céu.
Nasceu dentro de mim.
Primeiro veio como dor.
Uma linha prateada abrindo caminho sob minha pele, descendo do peito para as costelas, das costelas para o ventre, do ventre para as pernas, como se meu sangue tivesse esquecido a cor vermelha e decidido carregar noite líquida. A clareira inteira parecia inclinada sobre mim. As árvores antigas formavam um círculo fechado, seus galhos entrelaçados como dedos de juízes. Os lobos estavam afastados, inquietos, as orelhas