SeleneEu me virei devagar.Darius estava a poucos passos, o rosto fechado, mas os olhos… os olhos estavam vivos demais. Havia culpa ali, sim. E raiva. E algo mais escuro, mais primitivo, quase faminto, que ele tentou enterrar assim que percebeu que eu vi.Talvez a dor me deixasse cruel.Talvez a rejeição tivesse matado a parte de mim que media palavras.— Mas não se preocupe — continuei. — Sobrevivi sem um lobo. Sobreviverei sem você.Ele inspirou.O som foi baixo, áspero.Como se minha frase tivesse passado unhas por dentro dele.— Você não entende.Eu ri.Uma risada pequena, quebrada, feia.— Essa é a sua defesa? Depois de me rejeitar diante de toda a alcateia, depois de escolher minha irmã enquanto eu estava ali, depois de me mandar aceitar como se eu fosse uma criada recebendo ordem? Você vai me dizer que eu não entendo?Darius deu um passo.Eu ergui a mão.Ele parou.Parou.A obediência dele atravessou o salão como um choque mudo.Vi o instante exato em que percebeu.Vi a fúria
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