MILENA CHRISTIAN
Como se eu não soubesse, como se já não estivesse tatuada em mim desde a primeira mentira mal disfarçada, desde a primeira ligação que ele atendeu rápido demais. Mas ouvir da boca dele... Tornou tudo irremediável.
Quando as primeiras gotas vieram, as luzes dos outros automóveis passavam como estrelas cadentes na minha periferia, mas a concentração estava centrada na estrada que se estendia à minha frente. O som ritmado dos limpadores de para-brisas que se misturava ao batimento do meu coração, criando uma sinfonia única com a música.
As ruas estavam molhadas pelas chuvas da manhã. Os pneus do carro deslizavam com aquele som arrastado que me lembrava infância, quando chovia e eu ficava na janela contando os carros. O táxi freou bruscamente num semáforo, o automóvel à frente buzinou furiosamente e o motorista murmurou algo, talvez um palavrão.
Eu apenas olhei para o lado, para o vidro embaçado.
A cada momento o meu objetivo começava a se tornar mais e mais claro na minha