A luz da manhã atravessava as cortinas, e por um instante eu quis acreditar que nada havia mudado. Mas ao olhar para Helena, deitada ao meu lado, percebi que tudo estava diferente. O corpo dela ainda carregava minhas marcas, e o silêncio entre nós era mais eloquente do que qualquer palavra.
Passei os dedos pelos cabelos dela, devagar, tentando memorizar cada detalhe. Eu sabia que a tinha ferido, mas também sabia que, naquela noite, ela se entregara. Não por amor puro, nem por submissão, mas por algo maior: a mesma prisão que me prendia a ela.
Enquanto me vestia para sair, flashes da noite voltavam com força. O calor da pele dela contra a minha, o tremor das mãos, as unhas cravadas em minhas costas. O gemido que misturava dor e rendição. O olhar dela, cheio de lágrimas, mas fixo nos meus olhos, como se quisesse me desafiar mesmo no momento da entrega. Foi carnal, visceral, como se estivéssemos queimando juntos. Mas não foi só isso.
Eu senti dor quando ela chorou. Senti culpa quando per